Longe da polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) para qual a eleição presidencial parece caminhar, a briga entre os chamados “nanicos”, que tem menos de 2% das intenções de voto, volta e meia rende situações curiosas. Uma delas é a quantidade de dinheiro que cada um arrecadou e pretende gastar nesta campanha.

Quem gastou menos até agora, mas que tem chamado bastante atenção pelo seu jeito peculiar, é o candidato do Patriota Cabo Daciolo. Bombeiro militar, ele declarou ao Tribunal Superior Eleitoral ter arrecadado apenas R$ 9.100,26. Apesar da quantia considerada ínfima – considerando o que ele mesmo gastou quando concorreu a deputado federal (R$ 40 mil) ele tem mais votos, segundo pesquisas, que a maioria de seus companheiros nanicos.

Pelos levantamentos, Daciolo gastou muito menos que candidatos como Álvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB), mas tem praticamente o mesmo número de votos. A comparação de gastos com Dias, por exemplo, já é absurda, visto que o representante do Podemos já desembolsou na campanha R$ 5.316.692,60, algo em torno de 600 vezes mais que Daciolo.

Já quando a comparação é com Meirelles, a diferença deve ser proporcional à frustração do candidato do MDB. Pensem: Daciolo gastou R$ 9,1 mil e tem 2% das intenções de voto pelo último Datafolha, enquanto Meirelles tem os mesmos 2% e gastou… R$ 45 MILHÕES. Usando a calculadora para garantir, o candidato do MDB gastou 9.945 vezes mais que Daciolo para ter o mesmo percentual nas pesquisas.

E quer saber o pior? Os 45 milhões de Meirelles, segundo prestação de contas do TSE, são de recursos próprios.

Sobre os demais adversários chamados de nanicos, o aproveitamento do candidato Daciolo segue melhor (ou, pelo menos, mais eficiente). Ele tem mais votos que Guilherme Boulos (Psol), que segundo os dados do TSE já dispôs de R$ 6.043.880,83. Também estão nesta lista Eymael (DC), que gastou R$ 849.795,65, João Goulart Filho (PPL), com R$ 417.800,00 e Vera Lúcia (PSTU), com R$ 402.835,00.

A pesquisa citada nesta matéria tem margem de erro de dois pontos porcentuais e nível de confiança de 95%. Foram entrevistados 3.240 eleitores em 225 municípios nesta terça-feira, 2. O registro no TSE é o BR-03147/2018. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo.