Para militantes do segmento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) no PT e no PSDB, a oposição entre religião e grupos homossexuais que tomou a corrida eleitoral é “artificial”. Distantes das decisões referentes aos rumos das campanhas, grupos que atuam dentro dos partidos enxergam a disputa pelo voto evangélico como um “retrocesso” na luta pela garantia dos direitos homossexuais.

“Estava claro desde o início que a Dilma não trataria de questões da agenda legislativa, mas a proporção que esse fator religioso tomou obriga a campanha a fazer certas concessões”, afirma Julian Rodrigues, coordenador nacional do setorial LGBT do PT. “Estamos retrocedendo nesse debate. Não são concessões que o movimento gay gostaria de ver, mas nossa prioridade é eleger Dilma”.

Petistas e tucanos trocam acusações sobre a responsabilidade do uso eleitoral do debate religioso, mas temem prejuízos à batalha por direitos civis. “Tenho receio de que esse debate eleitoral, que é artificial, crie na sociedade uma oposição que não existe – que setores religiosos passem a enxergar setores LGBT como inimigos”, diz Wagner Tronolone, coordenador do grupo Diversidade Tucana, do PSDB de São Paulo. “Temos que ser cuidadosos para não provocar esses retrocessos. Vejo no Serra uma possibilidade de avançar”, disse.