Os senadores petistas Humberto Costa (PE), José Pimentel (CE) e Walter Pinheiro (BA) procuraram na manhã desta quarta-feira, 14, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, no Palácio do Planalto, para apresentar ao novo articulador político sugestão de nomes para serem designados para a liderança do governo no Senado. O ministro Pepe Vargas, no entanto, descartou esta possibilidade, informando que decisão sobre lideranças de governo não é uma discussão de bancada.

Pepe disse que a decisão sobre o nome é uma prerrogativa da presidente da República. Por isso mesmo, explicou o ministro aos parlamentares, ele não iria levar à presidente Dilma nenhum tipo de indicação para lideranças do governo porque não cabe este tipo de indicação, já que esta é uma escolha do Palácio do Planalto.

No Congresso, houve quem comentasse que este gesto demonstra o jeito difícil da presidente Dilma administrar, preferindo decidir sem ouvir quem conhece, o que considerada uma temeridade. O cargo de líder do governo no Senado vinha sendo ocupado desde 2012 pelo senador Eduardo Braga (PMDB-AM), que se licenciou do Senado para comandar o Ministério de Minas e Energia no segundo mandato de Dilma. O PMDB tenta manter o cargo e o PT, partido de Dilma, cogitou reivindicar o posto.

Humberto Costa, atual líder do PT no Senado, disse que o partido desejaria ter o cargo por entender que vai ser um momento de enfrentamento do governo em 2015. Mas, após o encontro, disse que é preciso se chegar a um entendimento com o PMDB. “O governo que vai decidir qual é o perfil”, afirmou.

Um dos citados pelos colegas de Senado para assumir o cargo, Walter Pinheiro descartou ter interesse pela liderança. “Não acho que devo ser líder do governo no Senado, não é o que se encaixa no perfil de atuação política que quero desempenhar este ano”, disse. Nos bastidores, o PT já admite que o posto deve ficar mesmo com o PMDB para impedir divergências com o principal aliado do governo no Congresso.

Queixas

Senadores do PT também pediram ao ministro que o governo honre compromissos acertados com o Poder Legislativo. Os parlamentares reclamaram que, durante o primeiro mandato da presidente, acertos políticos realizados com a própria SRI e com a Casa Civil em votações no Congresso não eram avalizados pela presidente.

Um dos exemplos de maiores críticas dos senadores ocorreu na discussão sobre o projeto de lei que muda as regras para a criação dos municípios. Em duas ocasiões, Dilma vetou as iniciativas após uma intensa negociação de operadores políticos do governo com o Congresso. “É importante definir claramente um processo de negociação”, afirmou Humberto Costa (PE).