O juiz federal Sergio Moro negou na manhã desta segunda-feira (4) o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para suspender o processo relacionado à compra do terreno para o Instituto Lula. A defesa pedia a suspensão até que fossem realizadas perícias em documentos apresentados pelo executivo Marcelo Odebrecht e pelo Ministério Público Federal (MPF) no processo.

Apesar de negar a solicitação por “absoluta falta de base legal”, o juiz determinou que a defesa de Marcelo Odebrecht e o MPF esclareçam a origem dos documentos apresentados. “Considerando a extensão da peça inicial e quantidade de documentos impugnados, concedo à defesa de Marcelo Bahia Odebrecht e ao MPF o prazo de cinco dias para manifestação”, determinou Moro.

Entre os documentos juntados ao processo nos últimos dias estão provas obtidas pelo MPF de que dinheiro da Odebrecht teria sido usado para pagar pelo terreno em São Paulo, onde seria instalado uma nova sede para o Instituto Lula.

A decisão de Moro mantém a data prevista para o interrogatório do ex-presidente em Curitiba: 13 de setembro. A defesa de Lula tentava adiar o novo encontro com Moro.

Entenda o caso

Segundo a denúncia do MPF, entre 2010 e 2014, Marcelo Odebrecht prometeu uma propina no valor de R$ 12,4 milhões para o ex-presidente Lula, paga na forma da aquisição de um terreno para a instalação de uma nova sede para o Instituto Lula. Para receber a propina, Lula contou com o auxílio de Palocci e Kontic, além de Teixeira. O terreno foi comprado por Glaucos e pela DAG Construtora, que agiram como laranjas da Odebrecht.

O MPF também denunciou Lula, Glaucos e Roberto Teixeira pela lavagem de dinheiro no valor de R$ 504 mil, realizado através da aquisição em favor de Lula de um apartamento em São Bernardo (SP). O imóvel foi mantido no nome de Glaucos, mas foi adquirido com recursos da Odebrecht por intermédio da DAG.