Foto: Aliocha Mauricio/O Estado
Moura: consenso sai a qualquer custo, nem que ?custe o gato?.

O PMDB irá disputar a presidência da Assembléia Legislativa com um representante do partido, independente da posição do governador Roberto Requião (PMDB). O atual 1.º secretário da Assembléia Legislativa e pré-candidato do partido à presidência, deputado Nereu Moura, anunciou ontem que pretende disputar o cargo se houver algum tipo de intervenção do governo a favor de outras candidaturas da base aliada.

O tema reassumiu seu lugar de preocupação central da bancada depois que o governador mandou dizer do exterior que não pretendia interferir no processo e os aliados de Nelson Justus (PFL) interpretaram a posição como apoio velado ao pefelista, que também é candidato e está na base de sustentação do governo.

O líder do governo na Assembléia Legislativa e presidente estadual do PMDB, Dobrandino da Silva, afirmou que é necessário ouvir Requião. ?Uma coisa é ele mandar dizer. Outra é conversar conosco?, disse Dobrandino, após uma reunião da bancada com o governador em exercício Orlando Pessuti, no Palácio Iguaçu, onde logo depois foram recebidos também deputados de outros partidos que compõem a base aliada. A oposição foi convidada, mas não compareceu.

Fuxico

O deputado Nereu Moura disse que os concorrentes estão fazendo ?fuxico? para desestabilizar a candidatura do partido. ?Nós não-entendemos que a posição de não interferência do Requião esteja favorecendo este ou aquele?, afirmou o deputado, que já exerce a 1.ª secretaria da Assembléia Legislativa.

?Se o governador permanecer independente, reforça nossa posição. Todo mundo aqui é de maior e tem condições de decidir os destinos da Assembléia. Se o governador tiver que optar, esperamos que seja pelo PMDB, que é o partido dele. Agora, se entendermos que há alguma interferência indevida, coloco a minha candidatura em plenário?, declarou.

O peemedebista acha que o partido deve conversar com Requião sobre a eleição da mesa, mas não como governador. ?Como nossa maior liderança do PMDB, queremos conversar com ele para contar o que está ocorrendo e verificar o que ele quer do PMDB como nossa principal liderança?, comentou.

As dificuldades do PMDB para indicar um nome de consenso à presidência também estão reforçando a posição de Justus como candidato da base aliada. Para Moura, o consenso vai sair a qualquer custo. ?Nem que custe o gato?, brincou o deputado.

Além dos 16 votos do partido, o PMDB contabiliza ainda apoios dos deputados do PT, que elegeu uma bancada de seis integrantes, do PTB, que terá três deputados, e ainda dos seis deputados do PSDB alinhados ao governo, para quem oferecem a 1.ª secretaria, o segundo cargo mais importante da mesa.

Fechado

Na reunião da executiva de anteontem à noite, o ex-secretário Renato Adur foi indicado para ser o candidato único à presidência estadual do PMDB. Outro nome definido foi o do presidente da Juventude do PMDB, João Arruda, para a secretaria geral. A convenção é no próximo dia 17. O diretório já começou a convocar os cerca de quinhentos delegados com direito a voto. A candidatura de Adur ainda está sendo apresentada como resultado de um pré-acordo. Somente será formalizada após a volta do governador Roberto Requião. Adur não foi à reunião, mas segundo Dobrandino, concordou em retirar as exigências sobre mudanças na equipe de governo que tanto irritaram Requião.