Aliocha Maurício / GPP
Aliocha Maurício / GPP

Ex-governador Emílio Gomes (ao centro) em reunião do movimento em
defesa da Ferroeste.

O ex-governador Emílio Gomes é um dos coordenadores do Movimento em Defesa da Ferroeste, lançado pelo governo do Estado, que busca apoio da sociedade para retomar a administração da Ferroeste, um trecho de 248 quilômetros, entre Cascavel e Guarapuava, que foi privatizada em 96. O governo do Estado está tentando retirar a concessão do Consórcio Ferropar, acusado de não cumprir as cláusulas básicas do contrato, como o investimento mínimo em vagões e locomotivas, as metas de transporte de grãos da região Oeste e o pagamento pelo uso da concessão.

Há meses brigando na Justiça para a decretação da falência da empresa, o governo está consultando engenheiros da RFFSA e pedindo sugestões sobre um modelo de administração que pode ser adotado para a ferrovia, se conseguir anular o contrato e para que possa operar com a capacidade máxima, explicou Emílio Gomes, engenheiro formado em 1949 pela Universidade Federal do Paraná e que integra o Centro Ferroviário. "Nós temos um grupo de engenheiros que estuda os problemas de transporte do Paraná. E resolvemos atender a um apelo do governo porque a empresa não tem condições de se equipar suficientemente para fazer o transporte dos produtos agropecuários. A estrada foi feita com dinheiro público e sacrifício e precisa cumprir seu papel", afirmou Emílio Gomes.

O ex-governador afirmou que, além dos investimentos rotineiros, a empresa também se comprometeu a fazer as extensões dos trechos. A programação é para que a ferrovia chegue até Guaíra e depois Dourados, no Mato Grosso do Sul. "O desafio é achar uma forma de gestão pública que permita mais agilidade na administração", disse o ex-governador.

Queda de braço

A Ferroeste foi construída com recursos públicos, a um custo de US$ 340 milhões. Desde 2003, a direção jurídica da Ferroeste está buscando o cancelamento do contrato de concessão. Este ano, o governo do estado pediu a falência do consórcio Ferropar, formado pelas empresas Gemon Geral de Engenharia e Montagens, FAO Empreendimentos e Participações Ltda., Pound S/A e América Latina Logística (ALL).

Conforme informações divulgadas pela direção da Ferroeste, a dívida total da Ferropar com o governo do Estado é de aproximadamente R$ 20 milhões, correspondentes a investimentos não realizados e a parcelas não pagas do financimento do leilão da privatização.

O grupo ofereceu R$ 25,6 milhões pela ferrovia, o preço mínimo do leilão, e pagou R$ 1,2 milhão (5% do lance) à vista. A Ferropar ganhou três anos de carência para começar a quitar a dívida, que foi dividida em 108 parcelas trimestrais de pouco mais de R$ 1 milhão. O contrato tem validade por 30 anos.

A primeira venceria no dia 15 de janeiro de 2000 e as demais até 2026. Ainda em 2000, o consórcio avisou que não poderia pagar e o governo anterior concordou em fazer um aditivo no contrato, prorrogando o pagamento de 74% de todas as parcelas que venceriam entre 2000 e 2003.