Arquivo / O Estado

A CUT volta às ruas em atos como
este, ocorrido em Curitiba, agora
contra o impeachment de Lula.

Aliados históricos do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os integrantes dos movimentos sindical e social no Paraná estão se organizando para participar de um ato público em Brasília, na próxima terça-feira, dia 16. É uma manifestação de apoio ao governo, sob ameaça de um pedido de impeachment do presidente, mas também um ato de cobrança de mudanças na política econômica e também de investigação de todas as denúncias de irregularidades dentro do governo e do PT.

A secretária de Políticas Sociais da CUT, Débora de Albuquerque, disse que a avaliação da entidade é que as forças políticas conservadoras estão se aproveitando do momento para creditar ao presidente e ao PT a invenção da corrupção no país, mas que o apoio ao governo depende de uma demonstração de Lula de que vai mudar os rumos da política econômica e cumprir seus compromissos de campanha. ?Nós apoiamos o governo, sim, mas há condicionantes?, comentou.

É o que defende também a Coordenação dos Movimentos Sociais. ?Nós queremos que esse governo reafirme o compromisso com os trabalhadores, com a retomada do projeto original da transformação da sociedade. O Lula precisa reafirmar o pacto com as forças sociais que o ajudaram a se eleger?, disse Waldemar Simão Junior, integrante da CMS.

Impeachment

Tanto a CUT como a CMS acham que as forças conservadoras do país estão se aproveitando do momento para tentar cassar o mandato de Lula. ?A direita, principalmente o PSDB que foi à televisão pedir o impeachment do presidente, está se colocando como a salvaguarda da pátria. Mas a corrupção não começou hoje. Explodiu agora porque temos um governo que está investigando. O que vamos fazer com o ato em Brasília é que esperamos uma limpeza geral no PT e no governo?, disse a representante da CUT.

Débora afirmou também que, além da mobilização, para forçar uma outra opção de política econômica por Lula, a CUT também estará em Brasília levando suas bandeiras históricas, como o aumento do salário mínimo e a redução da jornada de trabalho.

Para o representante da CMS, os adversários de Lula e do PT estão jogando para cima do PT e do governo as práticas que, durante anos, esconderam em seus governos. ?O governo Lula foi eleito democraticamente e é preciso que sejam esclarecidas todas as denúncias. Nós não vamos permitir que a mídia comprometida com os interesses econômicos e políticos da direita derrubem o governo, principalmente porque as coisas estão no pé em que estão, muito obscuras?, afirmou.

Ela citou que os sinais das práticas irregulares estão sendo expostos para a sociedade porque o governo atual está se disponde a investigar. ?O governo está garantindo a apuração das denúncias. E nós queremos que tudo seja esclarecido?, comentou Junior.

Fala presidencial não convence sub-relator da CPMI dos Correios

O sub-relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito – CPMI- dos Correios e membro da Comissão de Ética da Câmara Federal, deputado Gustavo Fruet (PSDB) deu uma pausa na efervescência política de Brasília para prestigiar, ontem de manhã, a assinatura de protocolo entre a Prefeitura Municipal de Curitiba e a Unesco para o projeto Comunidade Escola, um dos mais ambiciosos da administração do prefeito Beto Richa (PSDB).

Procurado pelos jornalistas, Fruet resumiu os principais acontecimentos dos últimos dias no processo de investigação das denúncias de corrupção que envolvem partidos políticos, em especial o PT, o PTB e o PL, e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O deputado tucano está entre os que viram com reserva a fala do presidente à nação, na última sexta-feira: mais do que pedidos de desculpas ao povo brasileiro, ele entende que o momento exige atitudes concretas que evidenciem o desejo de fazer as correções necessárias: ?O presidente não pode simplesmente abstrair-se dos erros cometidos pelo governo. Ele é líder e tem que exercer essa liderança como tal?.

Sobre a CPMI dos Correios, ele aposta em novas surpresas a partir de amanhã, quando será aberto o acesso aos dados telefônicos: ?A cada dia temos novas revelações e um dado acaba levando a outro?, diz. O acesso aos dados do Tribunal de Contas da União será outra ferramenta fundamental no andamento da CPMI. (Gisele Rech)