O Ministério Público (MP) de Londrina entrou nesta segunda-feira (6) com um pedido de afastamento do prefeito Barbosa Neto (PDT). Ele foi citado em denúncia que aponta o desvio de mais de R$ 300 mil de verbas para a saúde do município no primeiro semestre deste ano.  A ação foi protocolada na 4.ª Vara Civil de Londrina e será julgada pelo juiz substituto, Mário Azzioli.

O secretário de planejamento e ex-chefe de gabinete, Fábio Góes também teve um pedido de afastamento protocolado. Além disso, a mulher do prefeito, Ana Laura também está sendo investigada por fazer parte do esquema de corrupção. De acordo com o MP, como a primeira dama Ana Laura Lino foi apontada em alguns depoimentos como receptora de propina de empresas que prestam serviços de saúde à Prefeitura de Londrina, o prefeito também poderia estar envolvido. Há a suspeita ainda de que a ordem para realização das ações fraudulentas tenha partido de cargos de chefia.

O Ministério Público também denunciou criminalmente 15 pessoas que estariam envolvidas no esquema de desvio de dinheiro público e corrupção de agentes públicos na área de saúde de Londrina por meio de duas Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Elas são acusadas dos crimes de peculato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A Justiça já aceitou a denúncia.

Em declarações na manhã desta terça-feira (7), o prefeito negou as acusações. “São apenas depoimentos, acusações de dois ou três. Não há prova de pagamento de propina, cheques em minha conta ou de minha mulher ou de alguém próximo de nós. Nada concreto”, declarou. “É fofoca”, afirmou Barbosa Neto.

Calamidade

Também nesta segunda, a Prefeitura de Londrina decretou situação de calamidade pública na saúde para poder contratar, sem concurso público, 500 funcionários para que serviços do Samu e do Programa Saúde da Família possam permanecer.

Nesta quarta-feira (8) vencem os contratos da Prefeitura com os Institutos Atlântico e Gálatas, que são alvos de investigação judicial por desvio de dinheiro público. Sem outras entidades dispostas a assumir os serviços no município – Santa Casa e HUtec declinaram de propostas feitas pela Prefeitura -, a Secretaria de Saúde informou que a solução foi declarar calamidade pública e buscar medidas emergenciais para suprir a demanda, com as contratações de urgência.