O Ministério Público Estadual (MPE) enviou ofício ontem à Assembleia Legislativa recomendando o afastamento do novo diretor de Pessoal, Antonio Gulbino. A justificativa é que Gulbino teria interferido nas investigações sobre as irregularidades na contratação de servidores comissionados ao, supostamente, pressionar a presidente em exercício do Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Paraná (Sindilegis), Diva Scaramella Ogibowski, para ingressar com ação judicial para bloquear informações financeiras dos funcionários requisitadas pelo MPE.

Tesoureiro do sindicato, Gulbino é acusado pelo MPE de ter atuado para que Diva assinasse o mandado de segurança impetrado contra o fornecimento de informações.

Para os promotores, o ingresso da medida judicial é uma prova da influência do ex-diretor geral Abib Migue, o Bibinho, no caso. Até ser preso, acusado do desvio de R$ 13 milhões do Legislativo, pagos em salários para funcionários que nunca trabalharam na Casa, Bibinho era o presidente do Sindilegis.

O TJ concedeu parcialmente a liminar impedindo o acesso dos promotores aos dados. Entretanto, ao ser questionada pelos meios de comunicação sobre a ação, a presidente do sindicato acusou outros integrantes da direção da entidade de tê-la ludibriado.

Ela disse que os funcionários a procuraram com a alegação de que o mandado era para proteger os servidores de carreira e não os comissionados. Uma das pessoas apontadas por ela foi Gulbino.

Na semana passada, Diva pediu a retirada da ação judicial. Gulbino assumiu a direção de Pessoal no lugar de Claudio Marques da Silva, que também está preso há quinze dias, acusado de participar do esquema de nomeações de funcionários fantasma para desviar recursos públicos.

Retorno

O ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa ficou apenas cinco horas em liberdade, sob efeito do habeas corpus concedido na tarde de quinta-feira pela juíza substituta do Tribunal de Justiça Lilian Romero.

Solto às 20h30 de quinta, Bibinho voltou a ser detido no quartel da Polícia Militar, em Curitiba, à 1h30 da madrugada de ontem, após nova prisão preventiva ter sido decretada, desta vez, pela juíza da 9ª Vara Criminal de Curitiba, Angela Regina Ramina de Lucca.

Na noite terça-feira, Bibinho conseguira seu primeiro habeas corpus, cassado na mesma noite pela juíza de plantão, Manuela Tallão Benke. Na decisão de ontem, Lilian Romero (a mesma que concedera o primeiro habeas corpus) argumenta que juíza que estava de plantão não tinha competência para determinar novamente a prisão preventiva.

Logo após o novo habeas corpus ser concedido, o Ministério Público Estadual, então, recorreu à 9ª Vara, considerada competente para julgar o pedido de prisão preventiva.

Bibinho foi solto no mesmo dia em que a Justiça aceitou denúncia formulada pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra ele e outras oito pessoas por peculato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

O Gaeco recorreu do habeas corpus alegando que a prisão de Bibinho é necessária para evitar que ele influencie testemunhas ou oculte provas, argumentos aceitos pela juíza Angela Regina Ramina de Lucca ao decretar nova prisão preventiva.