Stica está assumindo a vaga deixada por
Angelo Vanhoni na liderança do governo.

O deputado Natálio Stica (PT) renunciou ontem à 1.ª vice-presidência da Assembléia Legislativa e assumiu a liderança do governo, que estava vaga desde a saída do deputado Angelo Vanhoni (PT), no início do mês passado.

Em cinco dias, será realizada uma eleição para a escolha do novo 1.º vice que substituirá Stica na Mesa Executiva. Stica disse que fechou o apoio da bancada peemedebista à candidatura do deputado André Vargas (PT), mas que não há como garantir unanimidade do plenário em torno da indicação do presidente estadual do PT.

Os deputados Augustinho Zucchi (PDT) e Ratinho Júnior (PPS) não retiraram seus nomes da disputa. Stica afirmou que durante uma viagem a Santa Catarina na quarta-feira, o governador Roberto Requião (PMDB) pediu e Zucchi concordou em deixar a disputa. “Apesar de ser do PDT, o deputado Zucchi tem sido um aliado leal ao governador”, afirmou.

Ontem, entretanto, Zucchi não confirmou o acordo. Disse que sua decisão dependerá ainda de uma reunião com as lideranças das bancadas e continua defendendo o que chama de “consenso” em torno de uma candidatura única.

Divisão

No PMDB, Stica admitiu que ainda há uma dúvida. O presidente estadual do PMDB, deputado Dobrandino da Silva, tem problemas políticos com o PT de Foz do Iguaçu e não aceita dar seu voto ao partido na Assembléia. Mas, conforme Stica, o peemedebista analisa a possibilidade de não participar da votação para não atrapalhar a eleição de Vargas. “Na pior das hipóteses, ele não vem votar”, afirmou.

Stica disse que as resistências da deputada Elza Correia (PMDB) foram derrubadas. Ela é adversária do deputado petista em Londrina, base eleitoral dos dois, mas prometeu deixar de lado os conflitos locais. “Ela entendeu que a defesa do governo na Assembléia Legislativa é algo muito maior do que uma ação localizada em Londrina”, comentou.

O novo líder do governo afirmou ainda que tem a promessa de Brandão de que vai se empenhar para evitar uma disputa em plenário pela 1.ª vice-presidência.

Desafios esperam novo líder

O novo líder do governo, Natálio Stica (PT), vai estrear na liderança do governo administrando duas votações espinhosas: o veto do governo ao reajuste salarial retroativo dos professores e o aumento salarial dos secretários de Estado. Stica disse que ainda não sabe ao certo quantos são os aliados do governo, mas que a bancada tem maioria para manter o veto ao aumento dos professores.

Quanto ao reajuste dos secretários, o líder afirmou que irá assumir a iniciativa de propor o benefício. Segundo Stica, a proposta deve elevar os vencimentos dos secretários dos atuais R$ 5,9 mil para cerca de R$ 12 mil, o correspondente a uma correção de 103%.

Stica disse que não vê problemas em corrigir os salários dos secretários ao mesmo tempo em que trabalha para manter o veto ao reajuste dos professores que passarão a receber os novos salários estabelecidos no plano de cargos, carreira e salários somente a partir de maio. “Se votarmos já o reajuste dos secretários, tanto eles como os professores receberão o aumento juntos, em maio”, observou. De acordo com o líder, os vencimentos dos secretários estão defasados. “Os secretários são uns abnegados. Trabalham muito e ganham pouco”, disse.

Cinco estrelas

O novo líder afirmou que o governo não tem mais quarenta votos em plenário como dispunha há alguns meses. Mas que uma das suas primeiras tarefas na liderança é recalcular e classificar a base de apoio. “Teremos os deputados cinco estrelas, que são aqueles que sempre votam com o governo. E os três estrelas, que são aqueles que ora votam contra ora a favor. Os demais ficam no saldo negativo”, disse.

A votação do veto ao reajuste do magistério vai servir de teste para verificar o tamanho da base aliada. Segundo Stica, há um descontentamento da bancada de apoio ao governo em relação a alguns pontos, mas que há também o compromisso do Palácio Iguaçu em recompensar seus aliados pelos momentos difíceis que enfrentam na votação de algumas questões. “Os deputados querem respeito do governo. Às vezes, é preciso tomar posições em que o deputado acaba ?queimado? na base. Então, há ônus e bônus”, disse o líder, explicando que o bônus solicitado pelos deputados é a atenção do governo às suas bases eleitorais, que pode ser um convite para um evento oficial ou acompanhar o governador na inauguração de uma obra em municípios que atuam.