Chuniti Kawamura / O Estado do Paraná
Youssef acusou Jaime Lerner
e Durval Amaral em depoimento.

O primeiro-secretário da Assembléia Legislativa, deputado Nereu Moura (PMDB), recebeu ontem, da 2.ª Vara da Justiça Federal Criminal de Curitiba, cópia integral do depoimento do doleiro Alberto Youssef sobre as operações Copel/Olvepar e Copel/Adifea, onde incrimina ex-secretários do governo Jaime Lerner (PSB) e o líder do governo à época, o deputado Durval Amaral (PFL).

Quando apresentou seu requerimento ao plenário da Assembléia, Moura disse que os documentos poderiam ajudar o Legislativo a adotar providências para esclarecer a participação de deputados nas negociações que, conforme denúncia do Ministério Público Estadual, foram montadas para desviar recursos públicos.

O documento que chegou ontem às mãos do deputado tem 35 páginas, e Moura disse que só depois de lê-las poderá dizer se há alguma providência a ser tomada: “Se as informações forem apenas aquelas que a imprensa já divulgou, não creio que justifiquem uma CPI ou qualquer outra medida drástica. Que documentos comprovam o que foi dito por Youssef? São apenas informações fornecidas por ele, sem provas? A partir desse depoimento, certamente o Ministério Público e a Polícia Federal estão fazendo investigaçoes e levantando material que pode, ou não, comprovar o que foi dito. Não podemos enxovalhar o nome de ninguém sem fundamentação”, observou o deputado peemedebista.

Quando as denúncias se tornaram públicas, a Mesa Executiva da Assembléia não achou necessário acionar a Comissão de Ética e Corregedoria para que o caso pudesse ser investigado, principalmente porque elas não se constituiam ainda em acusações oficiais.

Quando foram divulgadas as denúncias, Durval Amaral desmentiu as acusações e deu apoio à solicitação de Moura. Foi além: colocou à disposição da Justiça seu sigilo telefônico, bancário e fiscal: “Não há o que esconder”, comentou.