Sob escolta de policiais federais, o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, chegou pelo portão dos fundos da sede da Polícia Federal, em Curitiba, num Siena prata com vidros escuros, na manhã desta quarta-feira (14).

Segundo o delegado Igor de Paula, o ex-diretor da Petrobras deverá ser ouvido pela PF e, só então, encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para a realização de exames de corpo de delito.

Cerveró foi preso pela Polícia Federal na madrugada de hoje, logo depois da meia-noite, acusado de envolvimento na Operação Lava Jato, ao desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, de um voo proveniente de Londres.

O advogado de defesa de Cerveró, Edson Ribeiro, disse que não tinha conhecimento da fundamentação da prisão preventiva. Ribeiro afirmou que foi informado da prisão pelo próprio ex-diretor da Petrobras. Segundo o advogado, seu cliente prestaria depoimento amanhã no Rio como testemunha em um inquérito que apura vazamento de informações da CPI mista da Petrobrás.

“Desconheço a fundamentação da prisão preventiva. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal estavam informados da viagem do meu cliente para a Inglaterra”, disse Ribeiro. O advogado confirmou que o ex-diretor será encaminhado hoje para Curitiba, onde tramita o processo da Lava Jato.

O Ministério Público Federal do Paraná justificou o pedido de prisão do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, executado nesta madrugada, dizendo que “há fortes indícios de que ele continua a praticar crimes”. Além da prisão, houve também um mandado de busca e apreensão na residência do executivo e seus familiares.

Veja a íntegra da nota do Ministério Público Federal:

O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cuñat Cerveró foi preso preventivamente, na madrugada desta quarta-feira (14 de janeiro), ao desembarcar no Aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, quando chegava de viagem de Londres. Além disso, no dia 13 de janeiro, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência de Cerveró e de seus familiares, em função de seu envolvimento em novos fatos ilícitos relacionados os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro que foram denunciados recentemente pelo Ministério Público Federal (Ação Penal nº 5083838-59.2014.404.7000). Cerveró deverá ser transferido para a Delegacia da Polícia Federal em Curitiba ainda hoje.

Cerveró é acusado de participação em crimes como corrupção contra o sistema financeiro nacional e lavagem de capital entre 2006 e 2012, conforme a denúncia aceita em 17 de dezembro pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Lava Jato na primeira instância.

Foi a última denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal na sétima fase da operação. Além de Cerveró, passaram a ser réus no processo: Fernando Soares, lobista conhecido como Fernando Baiano, apontado como um dos operadores do esquema de corrupção na estatal; e Júlio Camargo, executivo da Toyo Setal. Além deles, a Justiça também aceitou a denúncia contra o doleiro Alberto Youssef, que já virou réu em outras ações. Além de Cerveró, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa é alvo de cinco ações.

Com informações da Agência Estado.

Leia mais sobre a Lava Jato.