A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência da República, abusou das comparações entre o governo Lula e os governos anteriores (principalmente o de Fernando Henrique Cardoso) na visita que fez ontem ao Paraná, onde teve reunião sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com os prefeitos do Estado e, depois, participou da festa de aniversário do PT e da posse do deputado Ênio Verri como presidente estadual do partido.

Dilma falou de pré-sal, da prioridade de fortalecimento do estado e das obras do PAC 2, sempre comparando os feitos deste governo com o que “foi deixado de fazer nos governos anteriores”. Sobre política, a ministra pouco falou, pois não quer “colocar a carroça na frente dos bois”.

A ministra destacou o papel do estado no enfrentamento da crise e disse que essa é uma das prioridades do PT. “Uma das coisas que ficaram muito claras da crise, que quase causou uma catástrofe no sistema financeiro internacional foi que não é possível mais aquele fundamentalismo de que o estado acabou e que agora reina tranquilamente só o mercado. A forma como governo Lula enfrentou essa crise é o melhor exemplo disso”, disse, lembrando que foram os bancos públicos que ofereceram crédito quando não havia recursos internacionais disponíveis e destacando os R$ 100 milhões liberados pelo BNDES para socorrer empresas e a isenção de impostos para auxiliar a indústria automobilística.

“Quem não pode abrir mão do estado é o setor privado e isso ficou claro. No passado, quando havia crise, o governo cruzava os braços. E o que acontecia, o empresário passava por enormes dificuldades, o trabalhador passava por enormes dificuldades, o país passava por enormes dificuldades. Porque o estado ao invés de ser uma alavanca para sair da crise, ao invés de ser uma parte da solução, era uma parte do problema, porque o estado quebrava”, provocou, ressaltando que, hoje, o Brasil empresta dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI). “Foi o estado forte, combinado com a atuação do mercado, que fez com que o Brasil saísse da situação que estava em 2003, a ser candidato a quinta potencia mundial”.

Ao comentar o PAC, a ministra voltou às comparações. Questionada sobre o pedido dos prefeitos do Paraná para que obras de reconstrução das cidades destruídas pelas enchentes fossem incluídas no PAC 2, Dilma disse que o PAC é para obras estruturais, como as de drenagem, de prevenção de enchentes, e não para questões emergenciais, que serão resolvidas com Medidas Provisórias.

Na sequência, lembrou que o Minha Casa Minha Vida também é um programa que pode auxiliar na prevenção de catástrofes, ao tirar famílias das áreas de risco, “pois ninguém foi morar na beira do rio ou no morro porque quis. Foi porque nunca existiu política habitacional nesse país”.

Acompanhada do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) e do senador Osmar Dias (PDT), ambos pré-candidatos ao governo do Paraná, Dilma pouco falou sobre o quadro eleitoral no Estado. Disse que já recebeu declaração de apoio do PDT nacional e que quer uma candidatura forte de um nome da base no Estado.

“E um desses nomes pode ser o do senador Osmar Dias. E não é porque a gente procura palanque para esse ou aquele, mas porque seria uma composição da nossa base de governo, mas também gostaríamos de ter o PMDB neste grupo aqui no Estado. Somos parceiros do governador Requião e seremos do Pessuti se ele vier a assumir o governo”.

Dilma disse que será o PT estadual que decidirá o rumo das alianças no Paraná. “Esse momento é o momento de construção dessas possibilidades de aliança. Cada estado é uma realidade. Não vamos impor nada a estado algum, apenas vamos dialogar para tentar a maior unidade possível”.

Daniel Caron
Dilma em Curitiba, recepcionada pela ex-presidente do PT do Paran&,aacute;, Gleisi Hoffmann e pelo atual, Ênio Verri.