Quatro manifestantes foram presos neste domingo, 7, após um rápido confronto com policiais durante protesto do Grito dos Excluídos, no Centro do Rio, que reuniu cerca de 200 pessoas após o desfile cívico-militar do Dia da Independência. Agentes do Batalhão de Choque da Polícia Militar usaram golpes de cassetete e spray de pimenta contra os manifestantes após um grupo atear fogo numa bandeira do Brasil.

O Grito dos Excluídos é organizado por partidos e movimentos sociais, como PSTU, PSOL, PCB e Central Sindical e Popular Conlutas. Os militantes esperaram o desfile militar terminar e partiram em passeata por volta de 11h30, após negociação com comandantes da PM, pois houve discórdia quanto ao uso de instrumentos musicais no ato.

Militantes do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe), da Frente Internacionalista dos Sem Teto (Fist) e da Frente Independente Popular (FIP) também se juntaram ao Grito dos Excluídos, mas foi mantida uma distância permanente, durante a passeata, entre esses manifestantes e os militantes partidários. Os quatro presos – três homens e uma mulher – faziam parte desse grupo.

Mais cedo, por volta das 10h, o mesmo grupo de cerca de 20 ativistas da FIP, com bandeiras pretas e faixas contra a “farsa eleitoral”, fez um ato na área destinada ao público do desfile militar. Eles foram vaiados por algumas pessoas das arquibancadas montadas na Avenida Presidente Vargas e discutiram com uma militante que circulava com uma bandeira do Brasil com um adesivo do candidato Aécio Neves (PSDB) e com outro grupo de cerca de 20 pessoas que exibia faixas com pedidos de intervenção militar e cartazes com a frase “fora, Dilma”. Apesar das discussões, não houve incidentes.

Antes de a passeata do Grito dos Excluídos sair, policiais militares dispersaram o protesto do grupo da FIP. Houve algumas discussões e alguns manifestantes foram atacados com cassetetes, mas não foram vistos confrontos mais graves.

O confronto mais violento ocorreu por volta de 12h30, em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML), próximo à estação Central do Brasil. Nesse momento, a marcha do Grito dos Excluídos foi interrompida e terminou nas cercanias da estação.

Após as detenções, um grupo menor de manifestantes, sobretudo os ligados à Fist e à FIP, seguiram caminhando até o busto de Zumbi dos Palmares, ainda na Avenida Presidente Vargas. A PM não voltou a usar spray de pimenta nem houve mais confrontos, até que tudo terminou pouco após 13h.