Foto: Agência Senado

Trabalhos da CPMI dos Correios estavam quase no fim. Mas novas denúncias podem empurrar o prazo para adiante.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, disse ontem, em entrevista coletiva, que é preciso investigar tudo em relação às novas denúncias e descobertas nas CPIs, como vem sendo feito, porque a sociedade continua cobrando respostas. Ele lembrou que suspeitas de toda ordem foram jogadas sobre as comissões, mas os fatos acabaram demonstrando exatamente o contrário.

Renan defendeu a prorrogação dos trabalhos das CPIs para esclarecer todas as denúncias, mas observou que quem vai dizer se a prorrogação é necessária ou não são os relatores, os sub-relatores e as pessoas que estão comandando as investigações. Ele disse que as denúncias de que deputados do PMDB que fazem parte da base governista teriam recebido o chamado mensalão não atingiram o partido.

"O PMDB se portou com isenção o tempo todo, indicou um relator que a cada dia cresce na opinião pública pela isenção que tem demonstrado. Essa coisa não é partidária e tem que ser investigada em qualquer direção, inclusive na direção do PMDB. Mas os fatos demonstram que não há nada com relação ao nosso partido", concluiu.

O senador Romeu Tuma (PFL-SP) também se mostrou favorável à prorrogação dos trabalhos da CPMI dos Correios. "A gente não pode enfraquecer a possibilidade de aprofundar as investigações. Se já há dados concretos que provam falcatruas em determinadas apurações, que sejam encaminhados ao Ministério Público para abertura de inquéritos relativos a esses procedimentos. E que se dê prorrogação para que se apure o resto que está sob dúvida", disse o senador.

Romeu Tuma sugeriu a criação de uma "frente de senadores" que teria como missão a defesa do relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). "Eu vou fazer essa proposta para que os senadores não permitam que ele seja maculado na elaboração do seu relatório. Ele não pode, sob pressão, deixar de citar um nome ou citar outro", concluiu Romeu Tuma.

O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), defendeu uma articulação com os sub-relatores da comissão para a continuidade das investigações. "Vamos fazer cara de paisagem para isso ou vamos prorrogar a CPMI?", questionou em plenário.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que estão garantidas as assinaturas de 27 senadores necessárias para a prorrogação. Na Câmara, Virgílio avaliou que bastaria que Serraglio defendesse a continuidade das apurações para que 171 deputados apoiassem um novo prazo para a comissão.

No entanto, os líderes do PT, Ideli Salvatti (PT-SC), e do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), mais afinados com o Palácio do Planalto, defenderam exatamente o contrário: a conclusão dos trabalhos da CPMI dos Correios no prazo definido na primeira prorrogação da comissão. A senadora afirmou que um prazo maior para as investigações pode comprometer a conclusão da comissão pela proximidade do período eleitoral. "Quanto mais próximo da disputa eleitoral, mas difícil de concluir os trabalhos da CPMI", afirmou Ideli.