A substituição do ministro da Defesa e suas causas trouxeram de volta o período ditatorial predominante no Brasil de 1964 a 1985. Foram 20 anos, quando a democracia brasileira foi desmontada e a Constituição rasgada. O arbítrio e o domínio total do chefe do executivo eliminaram do País a liberdade, os direitos dos cidadãos. A liberdade de imprensa desapareceu. Os jornais e todas as publicações, incluindo rádios e televisões, passaram a sofrer total censura. O poder judiciário perdeu totalmente a sua força, pois os juizes, se decidissem contra o poder dominante, eram cassados. O poder legislativo foi mantido. Mas, deputados e senadores estavam sempre com a espada em seus pescoços. Se discordassem, eram sumariamente eliminados.

FATOS ANTERIORES AO INCIDENTE MILITAR – O Brasil vinha mal. A administração incompetente de Jango Goulart assustava o País. O risco do caos e da subversão eram preocupantes. O povo saiu às ruas e, ingenuamente, protestava. Podia ter esperado um pouco mais, para que se completassem 5 anos do mandato do presidente da República. Faltava pouco. O movimento militar veio de Minas. Foi ao Rio de passagem, levava o apoio de governadores civis e comandantes militares. Não houve sequer uma batalha ou mesmo um tiro de canhão. O governo caiu sozinho. Assumiu o poder o presidente da Câmara dos Deputados, um tal Ranieri Mazzilli, que por várias vezes já havia assumido o posto.

FATOS POSTERIORES – Como mandava a Constituição, em caso de vaga do cargo de presidente e de vice, em segundo período do mandato a eleição seria indireta. Ou seja, os congressistas elegeriam o presidente e seu substituto. O escolhido, dada as circunstâncias, teria que ser um militar. A escolha caiu no marechal Castelo Branco. Respeitado intelectual. Moderado. Dava excelente impressão. O novo chefe da Nação foi eleito para completar o mandato anterior. Deveria permanecer no posto, portanto, até as eleições que deveriam ter sido realizadas em 1965. Em paralelo, um Ato Institucional já dava uma pancada violenta na Constituição. Para completar o desastre, os congressistas prorrogaram o mandato do presidente por mais um ano. Castelo Branco deixou o poder na hora certa, mas, perdeu o controle das forças armadas. Uma concessão houve; eleições estaduais foram realizadas em 65. Mas o insucesso em boa parte do País do partido do governo, fez com que, pela última vez, o povo opinasse na escolha de seus governantes a nível estadual. Restou eleições para prefeitos de pequenos municípios. Nas capitais, nos municípios considerados de segurança nacional, como os de faixa de fronteira, seriam nomeados.

RESUMO – A história é longa. Oportunidade haverá para novos detalhes. Costa e Silva, Junta Militar, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel, João Figueiredo se sucederam para desgraça do Brasil. Atos Institucionais? Foram tantos. Não há espaço para citá-los. O pior foi o de número 4, que arrasou a democracia. Eleições diretas somente em 1990. Hoje vivemos uma democracia plena. Mas, quanto sacrifício para chegarmos até aqui!