O governador Roberto Requião (PMDB) assinou ontem, em Paranaguá, a ordem de serviço para as obras de concretagem das vias de acesso ao Porto.

A obra, que vai custar R$ 15,93 milhões, começa em 15 dias e deve ser concluída até o final do ano. Requião anunciou ainda que os serviços de ampliação do cais vão ser iniciados ainda este ano, com ou sem a participação da União.

“Os representantes do governo federal ainda não explicaram porque ainda não assinaram o edital para a ampliação do cais. Não vamos esperar, vamos iniciar a primeira fase das obras com o dinheiro que a Administração dos Portos tem em caixa”, garantiu.

A pavimentação das vias de acesso ao porto vai ser feita pela empresa paulista Construcap. A compra das 18,9 mil toneladas de cimento que serão usadas na pavimentação das vias, também autorizada pelo governador, terão um custo de R$ 3,778 milhões. Receberão as melhorias as avenidas Bento Rocha, Governador Manoel Ribas, Coronel Santa Rita, coronel José Lobo, Portuária, e as ruas Professor Cleto, Antônio Pereira, Manoel Bonifácio e Barão do Rio Branco.

Os serviços de ampliação, recuperação e reforma da infra-estrutura portuária incluem as obras de ampliação em 820 metros do Cais Comercial à Oeste, a remodelagem e aprofundamento de trechos de sete berços de atracação e o aterro hidráulico e o derrocamento de determinadas áreas do porto.

Certificação

O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, Eduardo Requião, disse que estas obras são resultado do esforço feito pela administração pública. Ele anunciou ainda que a APPA estará empenhada nos próximos dias na obtenção da certificação internacional ISPS CODE (Código Internacional de Segurança).

Até o final do este mês, devem ser realizadas obras emergenciais, no valor de R$ 360 mil, para a melhoria do sistema de segurança das portas e muros. Finalizada esta etapa, começam a ser realizados serviços mais complexos de melhoria do sistema de segurança do porto, que estarão em conformidade com os critérios estabelecidos pela International Maritime Organization, ligada à Organização das Nações Unidas. Para a implantação deste projeto, o governo federal irá repassar R$ 3,5 milhões, através do DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre), com uma contrapartida do Estado de R$ 1 milhão.

O governador anunciou ainda a contratação de 270 moradores de Paranaguá para serviços de limpeza do porto. Os trabalhadores já foram chamados e aguardam apenas a realização dos exames médicos para serem contratados.

Governador condena demissão

O governador Roberto Requião reafirmou, ontem, que jamais fez qualquer indicação de nomes para cargos no governo federal e criticou, ainda, a saída do presidente do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), José Carlos Mendes, que foi exonerado na semana passada pelo Ministério dos Transportes e substituído por Hélio Silva, que respondia pelo CAP de Manaus. “O Mendes foi indicado pelo PT e pelo PDT para o Ministério dos Transportes. Os partidos me perguntaram o que eu achava da indicação. Eu disse que não tinha nenhuma objeção porque o considero uma pessoa correta e capaz para o cargo. Agora, isso não é indicar. Nunca fiz indicações para o governo do Lula”, disse Requião.

O governador lembrou que nesta segunda-feira (dia 31) mais um carregamento de soja foi recusado pelo governo da China. Desta vez, um navio com 61 mil toneladas da Cargil, que saiu do Porto de Santos, não foi aceito pelos chineses. É a quarta vez em pouco mais de um mês que a soja brasileira é recusada pelo governo chinês que alega que o produto está contaminado com sementes tratadas com fungicida.

“A devolução de soja pelos chineses, que causou um prejuízo ao Brasil de R$ 14 bilhões, não afastou os presidentes dos CAPs de Santos e do Rio Grande do Sul, onde ocorreu o problema. Por que é que eles não foram substituídos? Alguma coisa está errada”, analisou Requião.

As três cargas recusadas anteriormente saíram do porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, nos navios Bunga Saga Tojuh, com 59 mil toneladas; Bunga Saga X, com 60 mil, e Nord Star, com 59 mil toneladas. Nos três carregamentos não havia a emissão do certificado fitossanitário. “Esse problema não teria ocorrido se as embarcações tivessem saído do Porto de Paranaguá”, disse Requião.

Sem problemas

O presidente da CPI do Porto na Assembléia Legislativa, deputado Valdir Rossoni (PSDB), disse que a assinatura da ordem de serviço para o início das obras de concretagem de várias ruas que dão acesso ao Porto de Paranaguá e a apresentação do plano de segurança do porto, considerado pelo governo federal o melhor do país, não esvaziam a comissão.