A prisão dos líderes do Sindimoc fez com que os diretores do sindicato anunciassem novos representantes na tarde de ontem aos motoristas e cobradores sindicalizados. Até o próximo dia 30, quando ocorre uma nova eleição no Sindimoc, a presidente em exercício será Ana Ilibia Grein, vice de Denílson Pires. João Carlos Mesquita substituirá Valdecir Bolette na diretoria financeira. O anúncio da diretoria em exercício, porém, gerou desconfiança da Chapa 2, intitulada Zico (em alusão ao Alcir Teixeira, conhecido como Zico, assassinado em fevereiro do ano passado). Com princípio de tumulto, faixas e cartazes em protesto aos desvios de dinheiro que estão sendo investigados pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, os motoristas e cobradores pediram a intervenção do sindicato. “Protocolamos o pedido de intervenção ao Ministério Público na última quarta-feira, mas ainda não tivemos resposta. Queremos devolver o Sindimoc a quem ele realmente pertence: os trabalhadores. Conseguiremos isso apenas com um interventor”, afirma Alexandre Teixeira, candidato a presidente pela Chapa 2 – Zico.

Segundo Dirceu Galvão, diretor de relações sociais do Sindimoc, as prisões e investigações não deverão interferir no processo do próximo dia 30. “Vimos todas essas denúncias com muita surpresa. Mesmo assim continuaremos com o processo de eleição normalmente”, afirma. Para Galvão, os escândalos não prejudicarão o funcionamento do Sindimoc. “Todas as precauções para as investigações já estão sendo tomadas, só nos resta continuar. O Sindimoc segue aberto e em pleno funcionamento aos cerca de quatro mil associados. Nada disso prejudicará nossos atendimentos à categoria”, garante o diretor.

Politicagem

Em nota, a diretoria do Sindimoc afirmou que tais denúncias teriam cunho “eleitoreiro”, e que foram feitas por pessoas que compõem a chapa de oposição da eleição para a diretoria do Sindimoc. Alexandre Teixeira, porém, defende-se. “Trata-se de uma investigação séria e que envolve denúncias graves, tanto que envolve o Gaeco e o Ministério Público. A categoria vê com certa vergonha o que está acontecendo”, afirma. Questionado sobre a politicagem, Galvão afirma apenas que irá esperar as investigações serem concluídas.