O ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), terá de prestar esclarecimentos ao Senado sobre o repasse de R$ 6,2 milhões a um sindicato de cartolas do futebol para os preparativos da Copa do Mundo de 2014. Reportagem publicada hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo revela que o dinheiro foi liberado em 11 de abril deste ano, mas o projeto para cadastramento das torcidas organizadas nunca saiu do papel.

O líder do DEM no Senado, senador Demóstenes Torres (GO), vai requerer a convocação do ministro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Já o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), decide amanhã o que fará, segundo ele, para evitar que o Ministério do Esporte continue repassando dinheiro público sem os cuidados para evitar desvios e má aplicação.

No entender de Demóstenes, o Ministério do Esporte já devia ter passado pela faxina que resultou na troca de ministros nas pastas dos Transportes e Agricultura e na substituição de gestores do Ministério do Turismo. O líder do PSDB acredita que a permanência de Silva no cargo se deve à tentativa do governo de “preservá-lo para não passar uma imagem de promiscuidade na gestão do esporte no País em função da Copa e da Olimpíada de 2012”. “O que eu destaco como igualmente comprometedor é o fato de 97% dos recursos da Copa serem até agora públicos e ainda assim ter como parceiros nomes como o do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que está com a reputação abalada no País e internacionalmente”, criticou.

O líder do DEM acredita que nada justifica a permanência de Silva no Ministério. “Esse ministro é assim mesmo, promete e não cumpre e canaliza dinheiro para projetos de fachada”, acusou. Demóstenes cita como exemplo de “descontrole” das atividades de Silva o fato de o principal programa da Pasta, o Segundo Tempo, “ter virado um instrumento financeiro do partido, sem executar as suas metas”, lembrou, referindo-se a uma série de reportagens do jornal paulista mostrando que o programa não andou. “Ele (o ministro) está enrolando e tenho certeza que chegará ao Senado sem explicações aceitáveis, só com desculpas”.

Documentos mostram que o projeto de R$ 6,2 milhões teve o empurrão oficial de Alcino Reis, assessor especial de futebol da Pasta e homem de confiança de Silva. O presidente do Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional e suas Entidades Estaduais de Administração e Ligas (Sindafebol), Mustafá Contursi, encarregado da execução, admitiu que a entidade tem dificuldades em executar o projeto.

O Sindafebol assinou o contrato em que se comprometia a entregar o cadastro dentro do prazo previsto. Mas, segundo seu presidente, a única coisa feita até agora foi um teste piloto em Curitiba por dois técnicos “não contratados”, sem usar os R$ 6,2 milhões já liberados pelo governo federal.