Na abertura do ano legislativo no Congresso Nacional, o senador Osmar Dias (PDT) utilizou a tribuna para fazer apelo pela aprovação do projeto de resolução que acaba com a multa que a Secretaria do Tesouro Nacional cobra do Paraná pelo não pagamento dos títulos adquiridos no processo de privatização do Banestado.

De autoria de Osmar, o projeto está parado na Comissão de Constituição e Justiça, aguardando parecer do relator, senador ACM Júnior (DEM-BA), que já se disse contrário à aprovação da resolução.

Em um discurso carregado de crítica ao governo da época da privatização e aos parlamentares (deputados estaduais e senadores) que aprovaram a venda do Banestado ao Itaú, Osmar declarou que o Paraná recebeu R$ 5,5 bilhões com a privatização, “mas já pagou R$ 7,9 bilhões e ainda deve R$ 9,6 bilhões, numa dívida que vai até 2029”.

“Não posso me calar e não vou me calar. Quem vendeu o Banco do Estado do Paraná praticou um crime contra os paranaenses. Quem votou pela privatização também cometeu uma agressão ao povo do Paraná. Nós, no Senado, votamos contra a privatização. Votamos pela federalização. Assim o banco continuaria público”, disse Osmar.

O discurso de Osmar foi endossado por seu irmão, o também senador Alvaro Dias (PSDB), que criticou os que votaram pela privatização, como o presidente estadual de seu partido, Valdir Rossoni, e o prefeito de Curitiba, à época deputado estadual, Beto Richa, hoje seu adversário na disputa interna pela candidatura ao governo do Estado.

“Esse patrimônio (o Banestado) foi sendo dilapidado pela incúria administrativa e, lamentavelmente, se cometeu o crime contra a população do Paraná. Eu faço esse aparte apenas para destacar que esta história é uma daquelas histórias que fazem com que a população desacredite das instituições públicas e dos políticos de forma geral”, disse Alvaro.

Osmar voltou a destacar o compromisso do governo federal com o fim da multa e disse que ouviu da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a reafirmação dessa promessa. “Até conversei com a Ministra Dilma, na semana passada, questionando como iríamos fazer: “A senhora quer ser candidata a Presidente da República, quer o apoio do Paraná, mas para ter o apoio do Paraná tem que resolver esse problema da multa, esse problema da dívida com o Itaú porque senão como é que vai ficar?’ E aí ela disse que precisava de um documento que me autorize a resolver esse problema. O documento é a resolução do Senado”, disse o senador.

“Enquanto isso, o Paraná está pagando R$ 68,5 milhões por mês, que daria para construir duas mil casas populares, que daria para construir duas creches, duas mil casas populares”, comentou. Na semana passada, o governador Roberto Requião havia cobrado empenho dos parlamentares paranaenses em Brasília para resolver a questão da multa, Osmar garantiu que a bancada vai pressionar.