A novela da candidatura ou não do senador Osmar Dias (PDT) ao governo do Paraná pode ter tido seu último capítulo na noite de ontem. Depois de quase três horas de reunião com o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, Osmar, enfim, comunicou aos prefeitos e deputados do PDT que será candidato ao governo do Paraná. O anúncio oficial, no entanto, só ocorrerá hoje, após a formalização da aliança com PT e PMDB.

Da reunião na sede estadual do PDT, Osmar e Lupi partiram para a casa do governador Orlando Pessuti (PMDB), para comunicá-lo pessoalmente da decisão. A desistência de Pessuti em disputar a reeleição é uma das condições para a formalização da aliança.

Ao governador, caberá a indicação do nome do candidato a vice-governador na chapa que terá, ainda, Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB) como candidatos ao Senado. Com a confirmação da aliança, PT, PDT e PMDB também deverão estar juntos nas eleições proporcionais, coligados com, até, outros cinco partidos.

“Acabou a angústia. Temos candidato do PDT ao governo do Estado. Osmar e Lupi já comunicaram a todos os prefeitos do PDT de que ele (Osmar) será nosso candidato. Agora não tem volta”, disse o prefeito de Paranaguá, José Baka Filho (PDT).

Na reunião da noite de ontem, o ex-governador Mário Pereira (PDT) também foi confirmado como o coordenador da campanha de Osmar Dias. A novela sobre a candidatura de Osmar Dias é uma das mais longas da política paranaense.

Anunciado como pré-candidato ao governo logo após a derrota para Roberto Requião em 2006, quando perdeu o segundo turno por 10 mil votos, Osmar vinha trabalhando sua candidatura ao lado de seus aliados tradicionais no Estado, PSDB, DEM e PPS, até o fim das eleições municipais de 2008, quando apoiou a reeleição de Beto Richa (PSDB) à prefeitura de Curitiba.

Com a votação histórica alcançada por Beto nas eleições municipais, o PSDB passou a trabalhar a candidatura própria do tucano e Osmar foi buscar novos aliados, passando a ser o candidato preferido do presidente Lula (PT) e da candidata petista à presidência, Dilma Rousseff, no Paraná.

O senador hesitou em trocar de palanque e, ao mesmo tempo em que travava uma difícil negociação com PT e PMDB, estudava uma proposta para ser candidato ao Senado na chapa de Beto.

Quando estava decidido a disputar o governo pela base de Lula e com a aliança pronta para ser fechada, Osmar foi surpreendido com o convite recebido por seu irmão, Álvaro Dias (PSDB), para ser candidato a vice-presidente de José Serra (PSDB) e suspendeu o anúncio da candidatura, alegando que estaria exposto a um enorme constrangimento sendo adversário do próprio irmão e argumentando que o eleitor não entenderia uma disputa em família.

A vinda de Lupi foi fundamental para a decisão do senador. Segundo convencionais pedetistas que participaram da reunião, Lupi explicitou, mais uma vez, que o PDT nacional havia fechado questão no apoio a Dilma, que não autorizaria coligação com o PSDB e que conquistar o governo do Paraná era uma das prioridades do partido, já que Osmar aparece com mais de 30% das intenções de votos em todas as pesquisas registradas este ano na Justiça Eleitoral.

Lupi disse a Osmar que não havia como esperar pela definição do vice de Serra, já que hoje é o último dia para a o fechamento das convenções e vários outros partidos dependiam da decisão do PDT e salientou que não via nenhuma incoerência em Osmar ser candidato ao governo mesmo com Álvaro sendo vice do Serra, uma vez que, frisou, “ninguém vota em vice”. Osmar saiu da reunião com o compromisso de disputar o governo independente do futuro de Alvaro.