O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que ainda não há motivo para o impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Hoje não existe uma proposta. É preciso ter uma proposta e sua base. Que há uma crise no País, isso é fato, agora você tem trâmites que devem ser seguidos”, disse ele nesta terça, 18, no Palácio dos Bandeirantes.

Diferentemente do posicionamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que sugeriu à Dilma que renunciasse por um “gesto de grandeza”, Alckmin diz apenas que seu partido deve aguardar o resultado das investigações em curso. “Renúncia é decisão pessoal, isso não cabe comentar. Você vai fazer o impeachment com base no parecer do Tribunal de Contas da União, mas ninguém conhece ainda o parecer. O parecer não existe”.

Para Alckmin, embora haja uma “grave crise econômica, financeira, política e ética”, o momento é de apuração dos fatos que envolvem o PT e a presidente. “O que eu defendo? Investigação, investigação, investigação e o cumprimento da Constituição. Então se surgir uma proposta de impeachment, o meu partido tem o dever de analisar e votar. Eu já votei a favor do impeachment no caso do presidente Collor, quando era deputado federal. Mas hoje não existe uma proposta”.

Para o tucano, novos desdobramentos das investigações deverão surgir. “O PSDB é um partido de oposição, temos que ter o foco na investigação, que eu acho que vai mais longe. Veja que era só a Petrobras, aí já passou para a área eletronuclear, aí passou para a área elétrica, agora começa o BNDES”.

Embora seus colegas de partido, senadores Aécio Neves e José Serra tenham participado das manifestações do último domingo, 16, que pediam o impeachment da presidente, o governador paulista ressaltou que o PSDB nada pode fazer por enquanto senão esperar. “Tem duas questões andando simultaneamente: uma denúncia no Tribunal Superior Eleitoral, que cabe aguardar, pois não interferimos no TSE, e outra no TCU, que também tem que aguardar”.