O bispo de Assis (SP), d. José Benedito Simão, designado como um dos dois porta-vozes da Assembleia das Igrejas Particulares do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disse hoje que o governo Lula fomentou a discussão sobre aborto em um momento impróprio e que não é interesse da Igreja discutir o assunto nesta época.

A assembleia – que começou hoje e vai até domingo no interior paulista – reúne cerca de 200 representantes de 41 dioceses do Estado e deve tratar, de forma mais reservada, sobre questões polêmicas que dividem católicos durante a campanha eleitoral.

“Não é a melhor época para discutir essa questão (aborto). E se a Dilma é católica, não católica, se ela é da Igreja, não é a questão”, afirmou d. Simão, acrescentando que a questão religiosa fica muito centralizada e não é para acontecer assim. “O próprio governo Lula colocou no seu programa a questão do aborto, do homossexualismo. Ele colocou a coisa em discussão no momento mais impróprio que eu acho que deveria acontecer”, disse, ressaltando que esta é uma posição pessoal e não da Igreja.

“A Igreja também é pressionada a se posicionar. Mas o nosso posicionamento já é clássico a respeito do aborto”, explica. “A Igreja é a favor da família, a favor da vida. Então, a gente vê que no programa do governo tem muitos pontos que mordem um pouco vários segmentos da sociedade. E que cada segmento se pronuncie, mas num momento político como esse é um pouco desgastante”, afirmou d. Simão.

Embora o porta-voz designado para falar com a imprensa na tarde de hoje tenha dito que o assunto não está em pauta na assembleia, há informações extraoficiais de que os bispos se reunirão na noite de amanhã, quando não há atividades programadas, para debater o assunto. No encontro, devem abordar o posicionamento de bispos como d. Luiz Gonzaga Bergonzini, de Guarulhos, e d. Demétrio Valentini, de Jales, que se tornaram públicos por meio de cartas e declarações à imprensa.