O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse hoje que a base aliada passará a pedir verificação de quórum durante todas as votações nas comissões temáticas. A medida busca evitar situações como a de hoje, quando a oposição esperou um momento em que havia apenas um senador da base governista na CCJ e aprovou, em votação simbólica, uma audiência com a ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira para terça-feira que vem. Segundo Mercadante, havia um acordo desde o início do ano entre o governo e a oposição para que nenhuma matéria polêmica fosse votada sem a presença de senadores de ambos os lados.

“Foi uma quebra de procedimento do senador Demóstenes Torres (presidente da CCJ) de não votar matérias polêmicas sem a presença do governo e da oposição. Hoje havia uma audiência pública e eles votaram (o convite a Lina Vieira) sem comunicar a bancada do PT. Evidente que foi uma manobra deles”, criticou. O senador petista explicou que vários projetos foram aprovados por meio de acordo e que as matérias polêmicas eram votadas apenas com o plenário das comissões cheio. O petista afirma que o governo não fará mais acordo para votação de projetos com a oposição, mesmo que a matéria seja de menor importância.

O drible nos governistas foi uma forma de compensar a maioria folgada do governo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, onde a oposição não conseguiu aprovar a convocação de Lina. Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, Lina Vieira declarou que, no final do ano passado, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, lhe pediu para “agilizar a fiscalização do filho do Sarney”. A ex-secretária afirma ter entendido o pedido como um recado “para encerrar” as investigações envolvendo a família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).