Repórteres Sem Fronteiras, a mais respeitada organização não-governamental (ONG) de proteção ao jornalismo, classificou ontem como “incompreensível” a censura imposta ao jornal Diário do Grande ABC a pedido do prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT). Em nota, a entidade, com sede em Paris, afirmou que a decisão imposta pelo juiz Jairo Oliveira Junior, da 1ª Vara Cível de Santo André, “é contrária ao espírito da Constituição de 1988, a qual consagra a liberdade de expressão como um de seus pilares fundamentais”.

O Diário do Grande ABC, que recorre da decisão, está proibido de publicar reportagens que relacionem Luiz Marinho ao suposto descarte de carteiras escolares em bom estado de conservação, com pena de multa diária de R$ 500. Para Marinho, a sanção não significa um “pedido de censura”, e sim “uma determinação judicial”.

A prefeitura de São Bernardo do Campo, que teve sua posição contemplada na reportagem que deu origem ao caso, nega que as carteiras e cadeiras descartadas estivessem em bom estado de conservação, ao contrário do que afirmou o jornal, e considera a matéria “inverídica e ofensiva, caracterizadora de injúria, calúnia e difamação”.