A saída do ministro Antonio Palocci, da Casa Civil, foi tardia e fruto de uma blindagem malfeita. É a opinião de senadores de oposição, ouvidos pela Agência Brasil, que acreditam que o receio da instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigá-lo pudesse contaminar ainda mais o governo da presidente Dilma Rousseff. “Palocci caiu pelos seus próprios erros e por uma blindagem malfeita do procurador-geral da República. É possível perceber que houve uma sequência em que ele falou para a televisão primeiro, recebeu o parecer favorável do PGR e, em seguida, pediu demissão alegando ser inocente”, afirmou o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO).

Na opinião do líder, a decisão de Palocci foi tardia e podia ter sido tomada na semana passada, antes que senadores da base aliada assinassem o pedido de CPI para investigá-lo. Ele avalia ainda que o requerimento para a investigação pode perder apoio, mas deverá ser mantido pelos oposicionistas na pauta do Congresso.

“Nós vamos insistir. Mas, alguns governistas assinaram avisando que se ele caísse retirariam o pedido. Então, pode ser que nós não tenhamos número”, afirmou o senador.

Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o governo deve tirar “ensinamentos” da queda de Palocci sobre a relação com o Congresso Nacional. “O primeiro ensinamento é que a oposição é tão importante na democracia quanto a situação, e deve ser respeitada”, afirmou o senador.

Pra ele, o caso ainda não está encerrado. Neves acredita que a Procuradoria-Geral do Distrito Federal irá apurar as denúncias de tráfico de influência e enriquecimento ilícito envolvendo o ex-ministro. Após essa apuração, o oposicionista aposta que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, irá abrir um procedimento contra Palocci. “Do ponto de vista político, certamente há um encerramento. Mas do ponto de vista jurídico, não”, afirmou Aécio Neves.