Foto: Arquivo/O Estado

 Dados do TSE.

Sexto maior colégio eleitoral do Brasil, o Paraná foi o terceiro estado em volume de doações para campanhas eleitorais do País em 2004. Foram R$ 74,4 milhões em recursos destinados aos 23.728 candidatos que disputaram as eleições municipais de 2004, conforme os dados divulgados pela Organização Não-Governamental Transparência Brasil que, em meio à polêmica nacional sobre o financiamento das campanhas eleitorais, fez um estudo mostrando como foram distribuídas as doações no País.

A análise, concluída no início do mês pela Transparência Brasil, teve como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral. No Brasil, as doações somaram R$ 1,1 bilhão, distribuídos entre 362.806 candidatos. O primeiro lugar em contribuições financeiras para a campanha coube a São Paulo. Lá, o total de recursos recebidos pelos 63,227 candidatos foi de R$ 224,1 milhões. Em segundo lugar ficou Minas Gerais, com 58.867 candidatos e R$ 97,8 milhões.

Na relação estabelecida pela Transparência Brasil entre o número de votos e o total da receita de campanha, o custo do voto no Paraná foi maior do que em São Paulo e Minas Gerais. Enquanto o voto em São Paulo custou R$ 5,41 e os votos mineiros saíram por R$ 4,74, o voto paranaense saiu por R$ 6,65.

A ONG mapeou a distribuição dos recursos entre eleitos, não eleitos e os suplentes. No Paraná, a maior fatia das doações – R$ 40,8 milhões – foi para os 13.482 candidatos que não se elegeram. Para os 3.247 eleitos, foram R$ 30,9 milhões. Já os suplentes receberam R$ 2,5 milhões.

Beneficiados

O levantamento da Transparência Brasil mostra que, no Paraná, o PMDB, que lançou o maior número de candidatos (3.529) recebeu R$ 14,1 milhões em doações. Pela ordem, veio o PSDB (2.110 candidatos), que somou R$13,5 milhões, o PT – com 2.792 candidatos e R$ 9 milhões, o PFL com – 1.760 candidatos e R$ 7,1 milhões, o PPS – com 1.937 candidatos e R$ 6,8 milhões, o PDT – com 1.880 candidatos e R$ 6,2 milhões, o PP – com 1.738 candidatos e R$ 4,9 milhões, o PTB – com 1.601 candidatos e R$ 3,4 milhões, e o PL – com 1.411 candidatos e R$ 2,4 milhões.

Quatro partidos – PAN, PRONA, PCB e PSTU – não conseguiram eleger seus representantes. Entre eles, a menor contribuição foi ao PSTU que, conforme a Transparência Brasil, recebeu apenas R$ 445. O PAN recebeu R$ 16,6 mil, o Prona registrou um saldo de doações no valor de R$ 4,5 mil e o PCB arrecadou R$ 1,7 mil.

No comparativo entre o número de votos dados ao partido e o volume da arrecadação, o voto mais caro foi o do PFL: R$ 9,23. Em segundo lugar ficou o PSDB: R$ 8,80, seguido do PSC (R$ 7,79). No PMDB, que elegeu o maior número de candidatos (721 entre vereadores, prefeitos e vice-prefeitos), o voto teve o custo de R$ 7,69. O voto do PT, o terceiro mais votado – com 232 eleitos, ficou em R$ 5,85.

A divulgação dos dados sobre o financiamento da campanha eleitoral leva o nome de projeto "Às Claras". Na prática, a ONG usa as informações oficiais apresentadas pelos partidos e candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral e as organiza de forma a estabelecer a relação entre o valor arrecadado e o número de votos obtidos.