Com um dos menores índices de desemprego do País, o Paraná foi o Estado que mais recebeu dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em 2009, segundo levantamento do jornal O Estado de São Paulo.

O rastreamento do destino desse dinheiro, de acordo com a matéria, mostra que a distribuição das verbas milionárias do fundo em 2009 para a intermediação de mão de obra e orientação profissional atendeu a critérios político-partidários.

“Comandada por um aliado do PDT, partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos recebeu a maior parcela do dinheiro destinado a instituições privadas sem fins lucrativos”, diz o texto.

Segundo dados do Tesouro Nacional pesquisados pela ONG Contas Abertas, o Paraná recebeu R$ 4,8 milhões de um total de R$ 28,4 milhões partilhado entre os estados.

O repasse representou um custo de R$ 119 por trabalhador alocado no mercado. Entre as entidades sem fins lucrativos que receberam recursos do FAT, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos abocanhou R$ 5,6 milhões.

O presidente da entidade é Clementino Vieira (PMDB), vereador de Curitiba, que não foi localizado pela reportagem de O Estado para comentar o assunto. A Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social (SETP) afirmou não ter conhecimento nem gestão desse recurso que foi repassado pelo governo federal à Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e nem de qual foi porcentagem veio ao Paraná, já que o órgão existe em vários estados, como em São Paulo, onde há uma unidade de emprego, que não é o caso do Paraná.

Entre os recursos repassados diretamente ao Estado, a SETP informa que, para intermediação de mão de obra e seguro-desemprego, veio R$ 6,82 milhões em 2009, mais R$ 728 mil para qualificação profissional.

Recurso dividido entre 252 municípios que têm agências do trabalhador, para despesas de manutenção, aluguel, móveis, água, luz e telefone. O valor é considerado reduzido e o governo estadual faz a contrapartida com mais 40% a 50% do total.

No ano passado, o FAT somou R$ 37,4 bilhões. O rateio do dinheiro do FAT segue uma espécie de lei da oferta e procura, alega o presidente do Conselho Deliberativo do FAT, Luigi Nesse.

Ele nega que o repasse favoreça aliados políticos do governo e do ministro do Trabalho, Carlos Lupi e que os critérios são baseados nas demandas dos estados, municípios e entidades.