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Rosenmann é um dos deputados preocupados com os rumos
do PMDB em Curitiba.

O PMDB de Curitiba está novamente às turras. Ontem, o deputado estadual Rafael Greca, o deputado federal Max Rosenmann, e os vereadores Paulo Salamuni, Luiz Felipe Braga Cortes, Reinhold Stephanes Junior, o diretor do Detran, Marcelo Almeida, e o secretário estadual de Relações com a Comunidade, Milton Buabsi, reuniram-se para discutir a possibilidade de pedir a dissolução ou a intervenção no diretório municipal.

Prudentes, resolveram consultar o governador Roberto Requião (PMDB), antes de pedir a cabeça do atual presidente da executiva de Curitiba, Doático Santos, ao diretório estadual, que deu prazo até 28 deste mês para que solicitações do gênero sejam encaminhadas por todos os diretórios municipais. Doático Santos não esperou a decisão dos correligionários e divulgou nota classificando o movimento como uma "falácia" da bancada municipal que, segundo o dirigente peemedebista, está desorientada. "A bancada não sabe o que é. Se oposição ou situação", contra-atacou o dirigente peemedebista, afirmando que a bancada não tem apoio na base do partido.

Para o presidente do diretório, o novo embate é apenas um desdobramento do processo eleitoral do ano passado. Segundo Doático, trata-se de um grupo de aliados do deputado federal Gustavo Fruet, que liderava o grupo contrário à coligação com o PT na eleição majoritária e pregava a candidatura própria do partido. Segundo Doático, o resultado da aliança PT-PMDB não é justificativa para intervenção no diretório, já que na avaliação do presidente municipal, o desempenho não pode ser considerado uma derrota.

Porta-voz

Greca foi encarregado de conversar com Requião para saber se ele banca a permanência de Doático e dos demais integrantes da atual executiva. Se o governador sustentar o diretório, o grupo irá se dividir. Alguns podem recuar, mas outros devem deixar o partido, como é o caso do líder da bancada, vereador Paulo Salamuni. Segundo o líder, Stephanes Júnior e Rosenmann também defendem a intervenção.

Segundo Salamuni, a preocupação da ala que prega a saída da atual executiva é a eleição de 2006. "Não há mais condições de diálogo com a atual executiva. O partido não acredita mais neles e isso coloca em risco o desempenho eleitoral do próximo ano. Há um temor de que o PMDB não consiga eleger nenhum deputado em Curitiba", comentou.

A assessoria de Salamuni divulgou também a posição de Rosenmann. "Primeiro, temos que ter uma pessoa que queira ser presidente do partido e tenha vontade e seriedade para isto; segundo, temos que reabrir as zonais e trabalhar com os presidentes em sistema de tarefas cumpridas; e por último, temos que trabalhar, a fim de buscar mais filiações que sejam de fato representativas para a sociedade", disse o deputado.

Marcelo Almeida é mais maleável. Definiu como "desgastante" o panorama partidário, mas é contra a intervenção. Marcelo disputou a presidência do partido com Doático em eleição no ano passado. Buabssi também não avaliza soluções radicais. Ele prefere esperar pela convenção do partido, marcada para outubro. Até lá, Buabssi propõe a indicação de uma comissão provisória que teria a missão de reconstruir as zonais do partido, extintas pela atual direção.