O senador Roberto Requião (PMDB) afirmou pela primeira vez, com todas as letras, que é candidato ao governo do Paraná nas eleições de outubro. A declaração foi feita ontem, em Londrina, no encontro que reuniu cerca de 1,5 mil militantes da região. “A minha responsabilidade é com o partido e com o povo.” Ele também foi taxativo ao afastar a possibilidade de ficar no Senado por mais oito anos. “Definitivamente, não”.

Requião lembrou que é considerado um dos cinco senadores mais conhecidos no País e que, se disputasse o Senado, teria a eleição garantida. “Eu sei que a eleição para o governo não vai ser tão tranqüila quanto seria a do Senado”. E fez uma pergunta para a qual já tem a resposta. “Será que vale a pena ficar mais tempo em Brasília ou a responsabilidade de mudar as coisas no Paraná é mais importante?”

Faltando apenas uma semana para a convenção estadual do partido, a expectativa agora se volta para os possíveis acordos com outros partidos. Nas próxima horas pode ocorrer um entendimento com o PSDB, que já lançou o vice-prefeito Beto Richa, ao governo. Os tucanos indicariam um nome ao Senado e um candidato a vice. Os mais cotados para formar a chapa com Requião são o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão, que está costurando as negociações, e o empresário de Maringá, Sílvio Name. Também não está descartada uma conversa com o presidente estadual do PPB, deputado federal Ricardo Barros.

Diante da afirmativa de Requião, o pré-candidato ao Senado, o ex-governador Paulo Pimentel, convocou a militância para trabalhar pelas candidaturas. Ele disse que, agora sim, Requião está respondendo ao desafio colocado pelo povo do Paraná. “Além de grande parlamentar, o Requião tem mais uma chance real de voltar a ser governador. É isso que precisamos neste momento”. Paulo vem sendo indicado nas pesquisas como um dos preferidos do eleitorado para ocupar uma das duas vagas no Senado em disputa no Estado.

Desafio

Em seu pronunciamento, Requião fez um desafio aos outros políticos que estão na briga pelo Palácio Iguaçu. Ele quer saber quais são as propostas deles em relação ao pedágio. “O povo tem o direito de saber o que pensam sobre esse assunto”. Requião afirmou, ainda, que se eleito governador, vai chamar as concessionárias e comunicar que vão passar a receber somente pelos serviços prestados. Quem não concordar vai ter o contrato rescindido. “Não há direito adquirido contra o interesse público”.

Vontade popular na enquete

Cansado de responder sempre a mesma pergunta sobre sua candidatura, o senador Roberto Requião está deixando a confirmação para o eleitorado. Em Pato Branco, durante entrevista à Rádio Celinauta, o senador abriu espaço para uma enquete com os ouvintes. Das 15 pessoas que ligaram, todas confirmaram que querem vê-lo no Palácio Iguaçu no ano que vem. Depois de repetir a mesma situação em outras emissoras, Requião está dando o assunto como encerrado.

A disposição de disputar o governo também foi confirmada em Foz do Iguaçu. O senador e o ex-governador Paulo Pimentel participaram da abertura do primeiro Congresso Evangélico, realizado no Ginásio de Esportes Costa Cavalcanti na sexta-feira à noite. Depois foram até o diretório do PMDB, onde eram aguardados por centenas de militantes.

Paulo disse que está surpreso com a resposta da opinião pública. Ele figura entre os preferidos do eleitorado para ocupar uma das vagas ao Senado. Requião, aproveitou para falar sobre os planos para a região. Ele defendeu a criação de uma zona livre para indústria de exportação em Foz do Iguaçu. Para atrair as empresas e criar novos empregos, apresentou a proposta de redução do preço cobrado pela energia elétrica em até 40%.

Sábado, Paulo e Requião estiveram em Rondon a convite do Roctaract Club. Paulo fez palestra sobre “O Paraná que queremos”. Lembrou algumas obras que até hoje são marcas de seu governo nas áreas da telefonia, transporte, geração de energia e educação e foi aplaudido em pé quando disse que pretende ir para o Senado para “colocar a experiência adquirida na vida pública e privada a serviço do Estado”. Requião aproveitou para detalhar as proposta de governo. (ER)