O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “sai menor” da campanha eleitoral por ter ignorado a postura necessária ao cargo que ocupa em proveito da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. Em discurso na tribuna do Senado, Simon lembrou as vezes em que Lula descumpriu normas da Justiça Eleitoral e as suas “manifestações dolorosas” como puxador de voto para Dilma.

“Verdadeiras tragédias, não foi feliz a participação do presidente Lula”, afirmou. “Faltou a firmeza do presidente, faltou a postura de presidência, ele sai menor desta campanha do que entrou, não soube distinguir a hora em que é cabo eleitoral da hora em que é presidente da República”.

Eleitor no primeiro turno da candidata Marina Silva (PV-AC), Simon disse que agora não se sente em condições de orientar o voto nem em Dilma nem no candidato do PSDB, José Serra, porque os dois ocuparam o tempo da campanha “trocando acusações e falando do aborto”. “É uma confusão danada, a sociedade não tomou conhecimento de suas propostas, não houve análise da política econômica ou social, só promessas”, justificou. “Eu vou votar por obrigação, mas não quero influenciar ninguém”.

Ele não quis dizer para quem vai seu voto. No meio do ano, Simon chegou a anunciar que votaria em Dilma Rousseff, mas desistiu depois de divulgados os esquemas patrocinados na Casa Civil por Erenice Guerra, tida como pessoa da confiança da candidata. Optou, então, pela Marina, mas agora disse que prefere manter seu voto em sigilo para não influenciar a população. “Por isso, eu não tenho a coragem de falar e orientar os meus irmãos em quem devem votar”, explicou. “Se acreditam em Deus, peçam inspiração para votar, nem que seja no menos ruim. Não devem anular o voto, têm de votar. Eu vou votar, mas não falo aqui, porque não quero orientar ninguém, não quero ter a responsabilidade de nenhum voto a favor de ‘a’ ou a favor de ‘b'”, disse.

Para o senador, o resultado das pesquisas eleitorais, com vantagem para Dilma, pode estar “equivocado”. “Sou muito descrente das pesquisas, elas têm se equivocado muito”, criticou. “Mas não tenho dúvida de que (as pesquisas) estão influenciando para um lado, ah!, isso eu tenho”.