Em acareação realizada nesta quarta-feira, o perito Rubens Alexandre de Farias, do Instituto de Criminalística admitiu que os aparelhos encontrados na Assembleia Legilsativa do Paraná no dia 5 de fevereiro podem ter sido utilizado para grampear os deputados. No relatório enviado à CPI, o Instituto de Criminalística classificou os equipamentos como bloqueadores de celulares, incapazes de gravar ou transmitir as conversas dos parlamentares.

Farias foi chamado para ser ouvido ao lado do perito Antonio Carlos Vouger, da Embrasil, empresa de segurança contratada pela Assembleia, que localizou os aparelhos no gabinete da presidência, da primeira-secretaria, na sala de reuniões e na sala de telefone anexa ao plenário da Casa.

Ao contrário do Instituto de Criminalística, a Embrasil apontou que os aparelhos poderiam sim ser utilizados para grampear deputados. Com dois laudos distintos, restou à CPI convocar a acareação e foi o perito da Criminalística que voltou atrás. “São posições completamente antagônicas que precisam de esclarecimento”, disse o relator da CPI, Mauro Moraes (PSDB).

Farias admitiu que o relatório entregue aos integrantes da CPI, o qual descartou a hipótese de grampos na Casa, pode ser refeito a partir da avaliação feita pela Embrasil. Vouger sustentou que, na pericia feita in loco, o equipamento apreendido na Assembleia foi testado como transmissor, gravando, inclusive, escutas feitas pela empresa logo no momento em que o equipamento foi encontrado.

Assim, o perito da Criminalísitca admitiu a possibilidade e alegou que, após a remoção do material, foi difícil analisar a funcionalidade dos dispositivos. Faria propôs aos membros da CPI reproduzir na Casa a situação em que os equipamentos foram encontrados, para fazer novos testes.

Com as novas informações, o relator da CPI pediu para que a comissão tenha mais prazo antes do encerramento. Moraes que aguardar esse novo laudo do Instituto de Criminalística. “Diante de novas informações, como é a possibilidade da realização de uma nova perícia, não podemos encerrar a CPI”, disse.