O governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB), negou que tenha entrado na coordenação da campanha de segundo turno da presidenciável petista, Dilma Rousseff, de olho num possível cargo no governo federal em caso da ex-ministra da Casa Civil vencer o pleito.

Sem mandato a partir de 1.º de janeiro, o governador disse que tem emprego e que trabalharia normalmente em seu cargo concursado na Secretaria de Agricultura até as eleições de 2014, quando pretende disputar um novo mandato no Palácio Iguaçu. Pessuti disse, no entanto, que não negaria um eventual convite para ir trabalhar em Brasília.

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Pessuti: “Sou funcionário público”.

“Isso estará nas mãos da futura presidente Dilma Rousseff e do futuro vice Michel Temer (PMDB). Se for convocado, irei com muita satisfação. Se tivermos que ceder o nosso espaço para uma outra composição, não terei nenhum problema. Tenho o que fazer, sou funcionário público concursado há 31 anos e posso fazer isso por quatro anos sem me sentir abandonado”, declarou Pessuti que suspendeu viagem à Europa após ser convocado pelo PT estadual para ajudar coordenar a campanha de Dilma no Estado, já que o adversário da petista, José Serra (PSDB) conta com o governador eleito Beto Richa (PSDB) para tentar ampliar a vantagem do tucano no Paraná.

“Nesse momento, minha força maior é no sentido de eleger a Dilma presidente da República. Depois, do dia 3 ao dia 31 de dezembro, vou trabalhar para fazer um bom governo e uma boa transição para o próximo governador. A partir de janeiro, eu tenho o meu trabalho, de extensionista rural, na Secretaria de Agricultura e vou para um trabalho de reestruturação do PMDB, para fortalecê-lo para as eleições municipais de 2012 e para disputar o governo do estado em 2014. É lógico que para alguém que era pré-candidato a governador, eu começo essa nova fase como pré-candidato ao governo em 2014. Mas isso só se concretizará se vencermos todas as etapas que temos pelo caminho”, disse.

Sobre a campanha de Dilma, Pessuti reconheceu que reverter o quadro no Paraná é difícil, que a participação do governador eleito é um diferencial para Serra, mas argumentou que ele, os senadores e deputados eleitos e os prefeitos dos partidos da base de Lula podem neutralizar o “efeito Beto”.

“A estratégia, nesta última semana, é mostrar que a Dilma vai ser a presidente, já que as pesquisas dão 12 pontos de vantagem a ela, e mostrar que é importante para o Paraná que ela faça no nosso Estado uma votação superior à que fez no primeiro turno”, disse. “O primeiro objetivo é deixar a vantagem de Serra a menor possível, mas se essa onda em favor de Dilma que volta a se formar, chegar com força no Paraná, por que não pensar em vencer aqui também?”, disse Pessuti.