Num longo discurso, de quase uma hora de duração, em que deu posse a seis secretários de Estado, o governador Roberto Requião (PMDB) anunciou que o vice-governador Orlando Pessuti será o coordenador do Conselho Revisor do Estado, criado para acompanhar o andamento dos programas e ações do governo. Esta é a nova função do vice-governador que, na administração anterior, ocupava a Secretaria da Agricultura, destinada agora ao petista Valter Bianchini.  

Na presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e do ex-ministro da área, Miguel Rosseto, Requião fez elogios ao ex-secretário da área, Newton Pohl Ribas, a Pessuti, que não queria trocas na secretaria, e disse que a substituição não foi resultado de uma indicação política, apesar do caráter pluripartidário do governo. Requião explicou que escolheu Bianchini por competência e por afinidade. ?Foi uma escolha técnica e pessoal?, afirmou o governador.

Ele confirmou que Pohl irá assumir a coordenação do programa de qualidade do leite. Assim como o ex-secretário de Obras Luiz Caron, que foi substituído no cargo por Marcelo Almeida, e que passará a atuar como coordenador das grandes obras do Estado, começando pela construção do Centro Judiciário, em Curitiba, e a reforma do Palácio Iguaçu. Também foram empossados ontem o deputado estadual licenciado Nelson Garcia, na Secretaria do Trabalho e Ação Social, Enio Verri, no Planejamento, Vanderlei Iensen, na secretaria especial de Chefia de Gabinete, e Virgílio Moreira Filho, na Secretaria de Indústria e Comércio.

Temas recorrentes

As dificuldades que enfrentou na campanha à reeleição no ano passado foram abordadas novamente pelo governador, que também voltou a fazer críticas aos veículos de comunicação, às empresas concessionárias de pedágio e ao senador Osmar Dias (PDT), seu adversário na disputa eleitoral de 2006.

O governador atacou o projeto do senador pedetista, que muda a legislação das cooperativas e permite a abertura de capital no setor. ?O projeto, sob o guarda-chuva da Ocepar, é a cunha de penetração do agronegócio internacional no Brasil?, acusou o governador. Ele citou que muitas cooperativas estão se transformando em empresas, que funcionam como ?corretoras comissionadas? das multinacionais do setor. E que boa parte delas participou da campanha em favor da privatização do Porto de Paranaguá, apesar de terem recebido financiamentos na ordem de R$1 bilhão durante seu primeiro mandato.

Sobre os meios de comunicação, o governador voltou a dizer que as empresas do setor atuaram de forma a liquidar o seu governo e as diretrizes populares. E destacou que, agora, que optou pela redução dos repasses de verbas de comunicação social ao setor, a mídia está novamente irritada e tenta desmoralizá-lo. ?É a deliberada tarefa de desconstruir o Paraná?, disparou.

Ele rebateu uma reportagem publicada pelo jornal Gazeta do Povo, em que o Paraná é citado como o Estado com o maior número de secretários e que mais cria cargos comissionados da região Sul. ?Os cargos comissionados são absolutamente necessários. Quando um partido assume um governo para implantar uma proposta definida pelo povo, senão temos a ditadura das corporações. Os concursados podem ser eventualmente comissionados também, mas não pode ter exclusividade, senão o governante eleito não assume o controle do Estado?, reagiu.