No dia em que o presidente Lula e o governador Roberto Requião (PMDB) reaparecem juntos, a secretária de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Pupatto, anunciou que deixa o cargo no início da próxima semana.

Na nota que distribuiu ontem, Lygia não define datas. Indicada pelo PT para integrar o governo, Lygia vai antecipar em menos de duas semanas a saída do cargo, devido à decisão da executiva estadual do partido de deixar o governo Requião.

Pupatto teria que se desincompatibilizar até o dia 31, já que pretende disputar as eleições deste ano. Lygia se apresentou no PT para ser pré-candidata ao governo, mas como o partido pende para uma aliança com o senador Osmar Dias (PD), a secretária deve mesmo é concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa.

O secretário da Agricultura, Valter Bianchini, deixa o cargo também na próxima semana. Na quinta-feira, 18, ele comanda uma reunião entre a direção da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e representantes da cooperativas para tratar do movimento para que o Estado não seja mais obrigado a vacinar o rebanho bovino contra a febre aftosa.

Na nota, a secretária disse que acata a orientação do partido, mas defende mais discussão interna sobre essa decisão, que pode ter reflexos. “Tenho um grande orgulho de nossa participação neste Governo. Procuramos exercer nossa função com dignidade e de acordo com as diretrizes do nosso partido e de governo, implementando projetos que contribuem para o desenvolvimento do Estado. No entanto, devemos acatar a decisão dessa instância do PT, o que não invalida o fato de que continuaremos discutindo dentro do partido decisões como esta, que podem influir de forma decisiva no seu projeto maior, que é a continuidade das políticas do governo Lula para o Brasil”, diz Lygia.

Nas secretarias que serão desocupadas pelos petistas, interinamente, assumirão os diretores-gerais de cada órgão. O vice-governador Orlando Pessuti, que assume o governo no dia 1, disse que os cargos de primeiro escalão que forem sendo deixados pelos candidatos às eleições, serão preenchidos provisoriamente pelos diretores gerais e auxiliares diretos, até que ele forme a nova equipe.

No caso da Agricultura, o diretor-geral, Herlon Goelzer de Almeida, também deixa o cargo, seguindo a diretriz da executiva estadual do PT. Um dos nomes cotados para assumir a secretaria seria o do assessor de gabinete do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, Newton Pohl Ribas, que está desde 2007, em Brasília.

Porém, Pessuti estaria mais propenso a chamar Ribas, ex-secretário da Agricultura, para a Casa Civil. Para o lugar de Bianchini, a expectativa do setor é que o substituto seja um quadro mais técnico e menos político.