São Paulo (AE) – Lideranças do PT, reunidas em São Paulo, rejeitaram ontem a antecipação do debate sobre as eleições estaduais e nacionais em 2006.

"Este assunto não está sendo discutido e as candidaturas para 2006 só começarão a ser discutidas no final de 2005, ainda buscando o maior consenso possível", afirmou o presidente nacional do PT, José Genoino. Ele esteve em reunião plenária promovida pelo presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha.

Outra liderança petista, que também rejeitou esta antecipação do debate foi o líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante. "O partido não vai antecipar o processo eleitoral. Em 2005, nossa preocupação continuará sendo a de trabalhar para o País". afirmou Mercadante.

Plenária

Questionado sobre o fato de a reunião plenária ter a mesa de debates justamente relacionada às eleições de 2006, o senador respondeu que "é legitimo discutir com a militância do partido este tema". Mas reiterou que tal discussão não deve ser antecipada, rebatendo acusações que foram feitas pelos partidos de oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva.

O senador afirmou também que até a próxima terça-feira o plenário do Senado deverá aprovar o projeto das Parcerias Público-Privado (PPP). "Fechando assim com chave de ouro os trabalhos no Senado, com toda a pauta prevista concluída", disse ele.

No Paraná, a caminho da autonomia

Celebrada na campanha eleitoral de 2002 e renovada nas eleições municipais deste ano, a aliança entre PMDB e PT não vira 2005 nos moldes iniciais. Ontem, deputados, vereadores, prefeitos e a direção do PT passaram o dia reunidos em Curitiba estabelecendo as novas bases da convivência com o governador Roberto Requião que, independente da posição de afastamento ou de rompimento, não serão mais as mesmas no próximo ano.

Até o meio da tarde, o debate sinalizava para o prevalecimento da autonomia.

Em termos práticos, não uma oposição sistemática, mas o debate dos temas e propostas do governo. Na medida em que representarem efetivamente benefícios para a população e se identificarem com as linhas programáticas do PT, contarão com o apoio da bancada estadual. Se forem em direção oposta, não. Desta forma, acreditam os defensores da independência, o PT terá melhores condições de retomar suas bandeiras e sua identidade.

Várias propostas foram debatidas no encontro. Algumas alas do PT mostraram preferência por um afastamento mais incisivo, com a retirada de todos os filiados que estão ocupando cargos no governo, entre eles, o secretário do Emprego e Relações do Trabalho, Padre Roque Zimmermann, e o líder do governo, deputado estadual Natálio Stica.

Embora a tendência fosse deixar livre a decisão sobre a entrega dos cargos, o presidente estadual do PT, deputado André Vargas, considerou incompatível a posição de independência com a participação no governo. Mas a postura de Vargas não é unânime no partido e é contestada pelos grupos que consideram como pessoais os convites feitos por Requião a Padre Roque e a Stica.

Outros grupos já acham que o partido não precisa se distanciar de Requião. Bastaria apenas renegociar os termos desta parceria. Uma das condições seria assegurar junto ao governador a execução de alguns projetos do PT. Nesse caso, o partido poderia continuar no governo desde que houvesse um compromisso do PMDB de acolher algumas de suas teses na administração estadual.

Mas o ponto mais delicado da discussão está na relação da bancada estadual do PT com o governo. A insatisfação já atinge uma boa parte dos deputados petistas. As divergências que, inicialmente, se restringiam a Vargas, foram se ampliando e hoje as relações entre o Palácio Iguaçu se deterioraram também com os deputados Padre Paulo Campos e Tadeu Veneri. (Elizabete Castro e Sandra Cantarin Pacheco)