Valquir Aureliano / GPP
vanhoni110305.jpg

Angelo Vanhoni e os principais líderes do partido se reúnem amanhã.

Dois encontros para discutir os rumos do partido mobilizam os petistas neste sábado. Um deles capitaneado pela corrente majoritária, a Unidade da Luta, que reúne, entre outros, os deputados estaduais André Vargas, Angelo Vanhoni e Natálio Stica, o prefeito de Londrina Nedson Micheletti e o diretor geral da binacional Itaipu, Jorge Samek. O outro é organizado pela ala esquerda do partido, que tem assumido posições críticas em relação ao próprio governo federal pelo que considera um distanciamento das disposições programáticas que nortearam a criação e o desenvolvimento do PT.

Este seminário, com o tema ?25 anos de PT – Reflexões e Perspectivas?, terá como convidado de honra um dos fundadores da agremiação, Plínio de Arruda Sampaio, e está sendo organizado pelas deputadas federais Selma Shons e Clair da Flora Martins, e pelos deputados estaduais Tadeu Veneri e Padre Paulo, além de vereadores e outras lideranças estaduais. Deputados federais de outros estados também estarão presentes, entre eles, João Alfredo, do Ceará, e Antônio Carlos Biscaia, do PT do Rio de Janeiro.

As divergências entre os dois segmentos devem desaguar no processo de eleições diretas – PED – marcado para a segunda quinzena de setembro e que renovará os diretórios nacional, estaduais e municipais. Desde já as várias tendências se articulam para ampliar seus espaços. Segundo o presidente do diretório regional, deputado André Vargas, o objetivo é costurar ? o máximo de consenso?, mas na sua impossibilidade, a disputa é vista como uma saída natural: ?O PT é um partido democrático e sempre conviveu com as diferenças internas. Portanto não se assusta com o bate-chapa?.

Independência

Segundo Vargas, o encontro de seu grupo servirá para uma avaliação não só da conjuntura nacional, mas também da situação no Estado: ?Temos um programa alternativo para o governo do Paraná e um projeto de continuidade para o trabalho que vem sendo desenvolvido pela direção partidária, mas sem nos afastarmos do apoio ao diretório nacional e ao governo federal?.

A questão estadual, com o distanciamento do PMDB agravado esta semana pela  disputa em torno da presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa e a renúncia do deputado Natálio Stica à liderança do governo, também deve ser discutida. Vargas sublinha que o PT não está indo para a oposição, apenas firmando uma posição de independência que também tem em vista o projeto de poder do PT, com a reeleição de Lula e a apresentação de candidatura própria ao Palácio Iguaçu: ?Precisamos formar um palanque forte no Paraná, com uma boa chapa de candidatos proporcionais. Vamos buscar alianças para a nossa candidatura e isso, naturalmente, vai refletir na atual base de apoio ao governo do Estado?.

 Ala rebelde discute outros caminhos

Sobre o seminário que acontece no Hotel Caravelle (Rua Cruz Machado, 282), o deputado Tadeu Veneri explica que pretende debater a situação do País e do governo, focando as políticas econômica e social de um ponto de vista amplo: ?A intenção é discutir e entender o momento vivido pelo partido, mostrar que há outros caminhos que não os ortodoxos e, ao mesmo tempo, abrir espaço para o debate e a troca de experiências, numa preparação para os próximos embates?.

Esses embates incluem, num primeiro tempo, as eleições partidárias. E mais adiante, a sucessão presidencial e estadual. Ele enumera alguns dos principais pontos de discordância com o governo federal – reforma agrária, cortes no orçamento, Lei de Falências, unificação das reformas trabalhista e sindical – e pondera que eles devem ser analisados em profundidade.

A aliança com o governo Requião entra nas dicussões como desdobramento do processo. O líder da bancada petista na Assembléia admite que ele tem pontos positivos, mas também tem outros absolutamente impossíveis de serem apoiados. (SCP)