Acusados pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa de ter recebido dinheiro de caixa 2 na campanha de 2010, o governador Luiz Fernando Pezão e o antecessor, Sérgio Cabral, ambos do PMDB, embasarão a defesa na suposta falta de provas do delator. Pezão era candidato a vice de Cabral, reeleito no primeiro turno.

Costa disse ter arrecadado R$ 35 milhões para os peemedebistas com empresas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Os acusados negam que tenha usado recursos não declarados na campanha e dizem considerar o valor absurdo, maior do que o gasto total declarado à Justiça Eleitoral, de R$ 20,7 milhões.

Segundo Costa, o pagamento do dinheiro foi acertado em reunião com Pezão, Cabral e o então secretário da Casa Civil, Regis Fichtner. Os acusados negam que o encontro tenha ocorrido. Argumentam que o ex-diretor não detalha nem o lugar da suposta reunião nem como e a quem o dinheiro foi entregue.

Hoje, Pezão não teve agenda pública, o que é raro. Mas compareceu ao programa “Show do Antonio Carlos”, da Rádio Globo, e reclamou de não ter sido ouvido na Operação Lava Jato, enquanto o conteúdo da delação tem sido divulgado. Segundo Costa, R$ 15 milhões foram pagos pelo consórcio Compar (OAS, Odebrecht e UTC) e o resto, dividido entre as empresas Skanska, Alusa e Techint.

“Só quero que a Justiça seja rápida. Só ouviram o lado de quem fez a delação(…) Delação premiada é um processo novo. Não se pode jogar o nome das pessoas ao ar, nos jornais, sem dar direito de defesa. Até hoje não recebi nenhuma comunicação oficial. R$ 30 milhões não voam por aí. É passar atestado de burrice. As pessoas têm discernimento (…) Discuto em qualquer foro, em qualquer lugar. Nunca sentei com o doutor Paulo Roberto para pedir recursos de campanha, essa conversa nunca aconteceu”, afirmou.

Indiretamente, Pezão citou a relação de Costa com o senador petista Lindbergh Farias, candidato a governador derrotado em 2014. “Ele (Costa), que fez parte da coordenação de outra campanha, que era captador de recursos, fazer uma ilação dessas depois de quatro anos de uma campanha eleitoral (de 2010)”, disse Pezão, sem citar Lindbergh.

O senador é um dos políticos investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de participação no esquema de corrupção da Petrobrás. Ele nega ter se beneficiado de desvios de recursos. Lindbergh disse que, em 2010, foi indicado por Costa à empreiteira Camargo Correa, que doou R$ 2 milhões à campanha ao Senado. O petista também afirmou que Costa atuou na campanha do ano passado, ao participar de reuniões sobre programa de governo, mas não foi encarregado de captar recursos.

Citado pelo ex-diretor, o deputado estadual Carlos Minc (PT), ex-secretário estadual e ex-ministro de Meio Ambiente, confirmou que reuniu-se com Costa pela primeira vez no início de 2007, no início do governo de Cabral. Segundo Minc, a reunião aconteceu na Petrobras e teve a presença de ao menos dez membros do governo do Estado, inclusive Cabral e Pezão, e vários diretores da estatal. O tema eram licenças ambientais para obras da Petrobrás, disse ele. “Tivemos várias outras reuniões quando eu estava na secretaria, no ministério e depois de volta na secretaria. Todas reuniões de trabalho. Nunca houve nenhum encontro diferente disso”, afirmou Minc.

Cabral e Fichtner não quiseram dar entrevista e se manifestaram por notas divulgadas na segunda-feira, 9. Amigo do ex-governador, o secretário de Governo do Estado, Paulo Melo, reforçou os protestos contra o fato de Cabral e Pezão não terem tido direito de apresentarem suas versões até amanhã. “O grande corrupto é o Paulo Roberto Costa e agora virou o grande acusador”, reclama.