O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a instauração de inquérito da Polícia Federal para apurar suposta invasão de hackers ao sistema da corte.

O magistrado foi designado relator do caso por haver indícios de conexão entre esse ataque e os fatos investigados nos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos, que apuram uma rede de disseminação de notícias falsas e ameaças a integrantes do Supremo.

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Os principais alvos de ambos os inquéritos são pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro, entre eles empresários, blogueiros e deputados da base do governo.

O caso corre sob sigilo e as assessorias do STF e da PF se limitam a confirmar a instauração da apuração e a relatoria de Moraes.

“Trata-se de ameaça ao Supremo e os fatos são conexos e podem ser relacionados com a apuração em andamento nos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos”, afirma o Supremo.

Na polícia, o inquérito está sob a responsabilidade da Diretoria de Inteligência Policial. Investigadores confirmaram, reservadamente, apurar a conexão de pessoas já sob o foco do Supremo e o ataque cibernético.

No último sábado (8), agentes da polícia foram até a sede do tribunal para tratar do assunto com servidores da área de segurança da corte.

O site do Supremo ficou inacessível na última quinta-feira (6) e em parte do dia seguinte. Na sexta (7), a corte emitiu nota oficial em que afirmou que retirou a página do ar para investigar o motivo da instabilidade no sistema.

O Supremo disse que, segundo “informações preliminares”, não houve comprometimento de informações sigilosas, mas acionou a PF para apurar o caso.

O STF não confirma que foi alvo de hackers, mas diz que a suspeita foi levantada após técnicos identificarem aumento expressivo do número de acessos ao site que fugiam do padrão.

O Supremo tem experimentado nos últimos anos crescimento nos acessos ao portal devido a robôs desenvolvidos por empresas e profissionais ligados ao direito que, de maneira lícita, capturam dados públicos da corte para levantamentos e estudos.

Na semana passada, porém, os registros de entrada no site do tribunal foram ainda maiores que o normal.

O Supremo, no entanto, afirmou que “o acesso fora do padrão foi contido enquanto ainda estava em andamento e, segundo informações preliminares, somente dados públicos ou de características técnicas do ambiente foram acessados, sem comprometimento de informações sigilosas”.