A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Lula por corrupção passiva em um novo inquérito da Operação Zelotes – uma fatia da investigação que trata da suposta compra de Medidas Provisórias.

A informação foi divulgada pela repórter Camila Bomfim, da TV Globo, em Brasília, confirmada pelos repórteres do Estadão Andreza Mattais, Fábio Serapião e Fabio Fabrini.

Outros doze investigados também foram indiciados, entre eles os ex-ministros Gilberto Carvalho e Erenice Guerra e os empresários Carlos Alberto de Oliveira Andrade, da CAOA, e Paulo Ferraz, da Mitsubishi. Todos negam o envolvimento em atos ilícitos.

Essa investigação aponta especificamente para a MP 471, a MP do Refis, que ampliou incentivo fiscal às montadoras e fabricantes de veículos das regiões Norte, Nodeste e Centro-Oeste. O benefício seria extinto em 31 de março de 2010, mas acabou esticado para 31 de dezembro de 2015.

O inquérito, destaca Camila Bomfim, aponta inclusive encontros de Lula com o lobista Mauro Marcondes, conhecido do ex-presidente desde os tempos do sindicalismo no ABC paulista.

A PF sustenta que as negociações que teriam caracterizado corrupção tiveram início em 2009 – na ocasião, o petista ocupava pela segunda vez a Presidência.
A PF diz ter indícios sobre pagamento de R$ 6 milhões supostamente destinados ao PT.

“Existem indícios suficientes de materialidade e autoria do crime de corrupção ativa, pelas negociações e oferecimento de vantagem indevida, quando da edição da MP 471/2009, por parte do consó´rcio SGR/Marcondes e Mautonia e das empresas automobilísticas CAOA e MMC Automotores do Brasil, ao então secretário-geral da Presidência da República Gilberto Carvalho e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em benefício do Partido dos Trabalhadores”, afirma o relatório da PF.

Todos os indiciados pela PF beste inquérito negam taxativamente envolvimento no esquema apontado pela PF.

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS CRISTIANO ZANIN MARTINS E ROBERTO TEIXEIRA, DEFENSORES DE LULA

Em nota, os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira repudiaram ‘toda e qualquer ilação sobre envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em atos ilícitos a respeito da edição da MP 471, alvo da Operação Zelotes’.

“Desconhecemos o documento emitido hoje (segunda-feira, 15) pela Polícia Federal, mas reforçamos que Lula foi submetido, nos últimos dois anos, a verdadeira devassa e nenhuma prova foi encontrada, simplesmente porque não houve de sua parte qualquer ato de corrupção, ao contrário do que tem afirmado seus acusadores”, assinalam os advogados do ex-presidente.

Para Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, ‘essa onda de ataques só serve para reforçar que nosso cliente é vítima de perseguição política por meio de procedimentos jurídicos, pratica reconhecida internacionalmente como lawfare, e que atenta contra o Estado Democrático de Direito’.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DOS DEFENSORES DE LULA

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudia toda e qualquer ilação sobre seu envolvimento em atos ilícitos a respeito da edição da MP 471, alvo da Operação Zelotes.

Desconhecemos o documento emitido hoje pela Polícia Federal, mas reforçamos que Lula foi submetido, nos últimos dois anos, a verdadeira devassa e nenhuma prova foi encontrada, simplesmente porque não houve de sua parte qualquer ato de corrupção, ao contrário do que tem afirmado seus acusadores.

Essa onda de ataques só serve para reforçar que nosso cliente é vítima de perseguição política por meio de procedimentos jurídicos, pratica reconhecida internacionalmente como lawfare, e que atenta contra o Estado Democrático de Direito.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira