Uma resolução da Executiva Nacional do PFL baixada ontem em Brasília recomenda que o partido no Paraná indique os candidatos a vice-governador e ao Senado na coligação com o PSDB, aprovada na convenção estadual, realizada no sábado passado (dia 15).

A orientação agrava o impasse surgido em torno da decisão sobre o lançamento de candidato ao Senado, envolvendo a executiva estadual do partido e a vice-governadora, Emilia Belinati, que se inscreveu para a vaga junto com o ex-prefeito de Apucarana, Valdemir Mastrowski.

A resolução – válida também para São Paulo – traz em anexo uma moção de aplausos ao deputado federal Rafael Greca, que disputou a convenção de sábado defendendo a candidatura própria ao governo. Assinada pelo presidente nacional do partido, Jorge Bornhausen, a resolução estabelece que a Comissão Executiva Nacional deve ser informada com antecedência se a executiva estadual não seguir a recomendação aprovada ontem.

A candidatura a vice governador já está assegurada para o PFL na aliança com os tucanos. Falta apenas indicar o nome. Mas o lançamento de um nome para o Senado é um problema para o partido. O PPB, um dos partidos com o qual o PSDB conta para dar sustentação à candidatura de Beto Richa ao governo, exige o lançamento de um candidato único ao Senado. O PPB também condiciona sua participação na aliança ao fechamento de uma coligação na disputa proporcional.

No PFL, há um grupo de deputados federais que não aceita a coligação proporcional com o PPB. O argumento é de que a chapa do PPB – composta pelos atuais deputados federais José Janene, Nelson Meurer, Ricardo Barros e Dilceu Sperafico – tem uma densidade eleitoral capaz de reduzir as vagas do PFL na Câmara. Este mesmo grupo estaria encorajando a vice-governadora, Emilia Belinati, a insistir na sua tentativa de disputar o Senado para fazer com que o PPB ceda em relação à coligação na disputa proporcional em troca da exclusividade da candidatura ao Senado.

Troco

Em represália à apresentação da pré-candidatura de Emilia Belinati, a direção do PPB está conversando sobre alianças com o PDT e PMDB. Ontem, no início da noite, Janene iria ter uma reunião com o senador Alvaro Dias. O PDT estaria disposto a oferecer ao PPB uma vaga ao Senado e também a candidatura a vice-governador na chapa encabeçada por Alvaro. O PMDB também estaria disposto a compor com o PPB, destinando uma das vagas ao Senado ou a candidatura a vice-governador, disse o vice-presidente estadual do partido, Caíto Quintana.

PSDB insiste em aliança

Setores da executiva estadual tucana vão retomar as conversas com o PMDB do Paraná sobre uma possibilidade, ainda que remota, de acertar uma coligação para as eleições de 6 de outubro. A iniciativa é do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PSDB), que convidou o senador Roberto Requião, pré-candidato do PMDB ao governo, para um café da manhã nesta quinta-feira. O local não foi divulgado.

A doze dias do prazo final para os partidos homologarem suas chapas majoritária e proporcional, os tucanos estão às voltas com as divergências entre os seus principais aliados, o PFL e o PPB, que não conseguem chegar a um acordo sobre a disputa proporcional e o lançamento de candidatura ao Senado. A resistência de algumas alas do PFL em abdicar da vaga ao Senado, dificultando o fechamento da composição em torno da candidatura de Beto Richa ao governo, e as ameaças do PPB em se aliar com adversários, como o pré-candidato do PDT, senador Álvaro Dias, levou os tucanos a buscar opções.

Os tucanos estão irritados com a situação criada pelo PPB e PFL Brandão disse ontem que até o dia 30, todas as alternativas de alianças ainda são possíveis. “Nós avaliamos que estes problemas com o PPB e o PFL são plenamente superáveis. Afinal, ninguém está disposto a ir sozinho para esta disputa. Mas pressões que a gente recebe, podem ser devolvidas de outra forma. Política se faz abrindo e não fechando portas”, provocou o presidente da Assembléia Legislativa..

Antes da oficialização da candidatura de Beto Richa, o presidente da Assembléia já havia tentado uma negociação com o PMDB, oferecendo uma vaga de candidato ao Senado para Requião. Mas a aproximação dos tucanos com o PFL afastou os peemedebistas, que fecharam questão sobre o lançamento de candidatura própria ao governo.

As chances de um entendimento com os tucanos são consideradas reduzidas pelos peemedebistas. A avaliação é que o único caminho possível para um acordo seria o PSDB se dispor a retirar a candidatura de Beto Richa ao governo. Hipótese que está totalmente descartada pelos tucanos. A oferta de uma vaga ao Senado para o PMDB não interessa, garantem os correligionários de Requião. O senador não abdicaria da disputa pelo governo e o partido já tem um nome para o Senado, o do ex-governador Paulo Pimentel. Além disso, um acerto ficou mais longe ainda depois que Requião inscreveu-se como candidato à presidência da República na convenção nacional do PMDB, realizada no final de semana em Brasília, para tentar evitar o apoio do partido à candidatura presidencial do tucano José Serra.