Preocupados com os estragos que o deputado federal Rafael Greca pode causar ao PFL caso insista em concorrer na convenção como pré-candidato ao governo, setores do partido vão pressionar o governador Jaime Lerner para que atue no sentido de evitar a disputa com a ala que quer apoiar a pré-candidatura do tucano Beto Richa ao governo.

Ontem à tarde, o vice-presidente do diretório estadual, deputado federal Abelardo Lupion, pró-candidatura própria, e o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Durval Amaral, defensor da aliança com os tucanos, reuniram-se com o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, pedindo a sua ajuda para convencer Lerner a trabalhar pela união do PFL. Até agora, o governador tem se mantido distante da briga, pelo menos publicamente.

Pela manhã, a executiva estadual do PFL confirmou a realização da convenção do partido para o próximo dia 15, mas propôs que a decisão final sobre a participação da legenda na sucessão estadual seja prorrogada até o dia 22 deste mês. Setores da executiva sugerem que a convenção seja instalada no dia 15, mas fique em aberto por mais sete dias. A justificativa do grupo é que a decisão final seria tomada neste dia para acompanhar a convenção nacional do partido, marcada também para o dia 22.

Para Amaral, apesar das divergências entre Greca e Taniguchi, o prefeito pode ajudar no processo de pacificação interna. “Não se trata de uma questão pessoal, mas política. O prefeito tem mandato, é uma força política e achamos que todo o partido deve estar envolvido para evitar uma divisão “, resumiu o líder do governo.

Decidido

Mesmo com essa movimentação interna, o deputado Rafael Greca confirmou ontem que vai manter seu projeto de disputar a convenção. Na reunião de ontem da executiva, o deputado levou vários aliados do interior do Estado que vieram defender a tese da candidatura própria. O grupo que defende a aliança com os tucanos preferiu não polemizar com os aliados de Greca. O deputado não gostou da proposta de deixar a convenção em aberto.

Greca disse que está sendo assessorado por advogados do diretório nacional e vai consultá-los sobre a sugestão do presidente estadual da legenda, João Elísio Ferraz de Campos. “Nós queremos zelar pela lisura do processo. Não queremos comprar um prato feito. Vou ver com os advogados em que termos o presidente do partido vai conduzir esta convenção”, comentou.

Greca questiona executiva

O deputado federal Rafael Greca deu um prazo de 48 horas para que o presidente estadual do PFL, João Elísio Ferraz de Campos, responda a um questionário contendo oito perguntas sobre os procedimentos previstos no estatuto do partido para a realização da convenção, marcada para o dia 15. As informações foram solicitadas há quinze dias. Como o questionário ainda não foi devolvido, Greca resolveu encaminhar as dúvidas de forma mais incisiva, prometendo recorrer à Justiça se não receber uma resposta imediata ao seu pedido. O deputado alega que precisa das informações para garantir seus interesses individuais.

Entre outras dúvidas, o deputado quer saber se Campos já publicou o edital de convocação da convenção em um jornal de circulação estadual, como manda a Lei Eleitoral. Além disso, Greca questionou se a data escolhida seguiu a orientação da executiva nacional do PFL. Ele também perguntou se, para disputar a convenção, é necessário inscrever uma chapa completa, com candidato ao governo, a vice, ao Senado, à Câmara Federal e à Assembléia Legislativa. O deputado pergunta ainda quais são os convencionais do partido (com nomes e cargos) aptos a votar na convenção e a data de registro de cada um no PFL.

Greca também perguntou a Ferraz de Campos se ele recebeu alguma orientação do diretório nacional sobre a formação e celebração de alianças partidárias. Se a resposta for afirmativa, o deputado deseja conhecer a íntegra da orientação e a data de sua publicação no Diário Oficial da União.