Foto: José Cruz/Agência Brasil

Alckmin, Bornhausen e Jorge: faltou entusiasmo na convenção.

O PFL oficializou ontem, em convenção nacional, a aliança em torno da candidatura presidencial do tucano Geraldo Alckmin, com o senador pefelista José Jorge (PE) no posto de vice.

A despeito da escassez de público e da falta de entusiasmo generalizada, por conta da má performance eleitoral de Alckmin e da falta de entrosamento entre tucanos e pefelistas em grande parte dos estados, a chapa foi aclamada em meio a discursos inflamados contra o governo e críticas pesadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Política é obstinação e queremos nos declarar obstinados a impedir que o presidente da República, conivente com os corruptores, fuja ao debate sobre os escândalos e crimes do seu infeliz governo", afirmou o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que presidiu a reunião ao lado de Alckmin e José Jorge. Tal como previra na véspera o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), foi uma convenção "normal, e não muito calorosa, porque não houve a mobilização indispensável neste caso".

Os momentos de animação da platéia de militantes pefelistas, com muitos gritos e aplausos, foram reservados ao candidato do PFL a governador do Distrito Federal, deputado José Roberto Arruda. Ainda assim, a convenção foi do agrado dos tucanos. "Achei tudo ótimo, maravilhoso", resumiu ao final o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE).

A seu ver, pefelistas e tucanos realizaram a proeza de uma aliança oficial, o que nem mesmo o PT e o presidente Lula "com toda a força que tem o governo federal", conseguiram fazer "Estamos vivendo um momento de glória", insistiu Tasso, ao falar da dificuldade de se construir uma aliança oficial entre dois grandes partidos, diante da legislação eleitoral que limita as coligações nos estados.

Penúltimo a discursar, José Jorge abriu sua fala destacando que foi o nordeste, e não o destino, que o colocou na condição de vice. Depois de se referir a Lula como "nordestino desnaturado", disse que "a praga atual" que aflige sua terra é "a traição de um conterrâneo mal-aculturado" que chegou à Presidência e trata o nordeste como "região habitada por uma gente exótica e folclórica", em vez de resolver seus problemas. Ele acredita que seu papel na eventual administração Alckmin será o de "equilibrar as atenções do governo para que o nordeste seja prioridade nos planos de desenvolvimento e não receba esmolas".

Alckmin falou logo em seguida, mas não acompanhou o tom dos pefelistas nas críticas ao presidente Lula. Antes dele, ACM ocupara a tribuna para pregar a unidade entre tucanos e pefelistas, indispensável à vitória, e para dizer que o Brasil não agüenta mais a situação em que se encontra sob a presidência do "doutor Lula". O senador disse que Lula é "doutor na roubalheira, na incompetência e no cinismo". Alckmin, no entanto preferiu agradecer "a boa companhia de José Jorge" e saudar a parceria com o PFL.

"Política é time, é coisa boa, de quem gosta de gente. Temos aqui um grande time e estamos unidos no compromisso com nosso povo", declarou Alckmin, destacando que não luta por uma vitória pessoal, mas para melhorar o Brasil. O tucano lembrou ter visto seu adversário dizer há poucos dias que o Brasil não tem pressa para crescer, e contestou: "Ao contrário, temos muita pressa. Nosso tempo é a velocidade da mudança".