O diretório estadual do PL encaminhou ontem uma notificação formal ao ex-prefeito de Guarapuava, Vitor Hugo Burko, para que se retire da campanha de reeleição do governador licenciado Roberto Requião (PMDB). No documento, a direção do partido no Paraná exige também que Burko se manifeste em favor da candidatura do senador Osmar Dias (PDT), vindo a participar da aliança formalizada pela sigla. Burko ocupa a vice-presidência do PL no estado e foi o vice-candidato ao governo na chapa do senador Flavio Arns (PT).

Segundo o presidente estadual do PL, deputado federal Pastor Oliveira, se Burko não atender o pedido, providências mais sérias deverão ser tomadas pelos integrantes da direção da legenda, podendo inclusive culminar na expulsão do vice-presidente. ?Eu e Burko somos amigos, mas divergimos politicamente. Fiquei responsável pela notificação e disse a ele que deveria voltar atrás em sua decisão, ou sofres as conseqüências. Se Burko não retirar seu apoio a Requião, teremos de mover um processo no conselho de ética do PL estadual?, declarou.

No entendimento de Pastor Oliveira, Burko deveria ter esperado uma decisão do partido. ?Ele se precipitou. Não precisava fazer campanha ao Osmar se não quisesse. Mas ficar ao lado de Requião dá mau exemplo a outros integrantes do partido?, disse.

Resistência

Burko afirmou ontem que não vai acatar a determinação do Diretório Estadual do PL e permanecerá na coordenação da campanha de Requião. ?Estou trabalhando na parte de propostas de governo. Na minha visão o PL já tem trilhado um caminho, no sentido ideológico, para trabalhar pelas classes mais necessitadas. E foi mantendo esta coerência que decidi acompanhar Requião. Em nenhuma hipótese vou mudar minha posição?, disse. O vice-presidente estadual do PL afirmou também que não pretende discutir os motivos que levaram o partido a integrar a campanha de Osmar. ?Eles têm o direito de defender os interesses que julgam os mais corretos?, explicou.

Burko declarou que na sexta-feira após as eleições, dia 6, já havia anunciado a seus colegas – os deputados federais Giacobo, Chico da Princesa e Pastor Oliveira – que iria apoiar Requião. Segundo Burko, aproveitou aquele momento para dizer a eles que não tinha como ir com Osmar. ?O partido demorou para se posicionar?, disse.

Segundo Burko, ele vai aguardar a movimentação do diretório estadual do PL, para ver se precisará se defender. ?Se quiserem me expulsar, não há problemas?, disse. Burko afirmou que em breve o próprio gerenciamento dos partidos deve ser rediscutido, via reforma política.