A Executiva do PMDB aprovou ontem a realização de prévias para escolher o candidato do partido para disputar a eleição presidencial no dia 19 de março, dando prazo até 11 de fevereiro para a inscrição dos candidatos. A executiva também marcou para 26 de março o segundo turno das prévias, se for necessário. Ficou decidido ainda que, se o candidato escolhido desistir, tiver problemas de saúde ou vier a falecer, o segundo colocado nas prévias assume a candidatura.

O presidente do PMDB, Michel Temer, disse que a candidatura própria do partido é irreversível e que a partir de agora não haverá mais distinção entre governistas e oposicionistas no partido. Logo após a reunião da Executiva, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho e o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, pré-candidatos já inscritos para as prévias de 19 de março, mostraram confiança na candidatura do partido.

Garotinho disse que "a prévia é vacina contra o desinteresse do partido por sua própria candidatura" e frisou que o candidato será escolhido com o voto de oito mil vereadores, mil prefeitos e um total de 21 mil representantes das bases. "O candidato não será ungido por ninguém, ele surgirá naturalmente das bases, e por isso será um supercandidato", disse Garotinho.

Rigotto disse não temer que o partido abandone seu candidato para fazer alianças, como ocorreu com Ulysses Guimarães e Orestes Quércia. Segundo ele, as prévias farão uma grande mobilização partidária porque o candidatos vão percorrer os estados. "O PMDB vive uma outra realidade, um momento diferente. O PMDB vai ter cara própria e não vai ficar a reboque de outras legendas", disse Rigotto.

Disputa

Com o anúncio, assim como ocorre com o PSDB, onde dois candidatos (Geraldo Alckmin e José Serra) disputam a preferência do partido para ser indicado candidato a presidente da República, no PMDB dois nomes despontam como polarizadores da disputa, Anthony Garotinho e Germano Rigotto, apesar de oficialmente existirem pelo menos dois outros interessados: o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, e o presidente do Senado, Renan Calheiros.

Provavelmente a disputa ficará mesmo entre Garotinho e Rigotto. Garotinho disse ontem que "o partido vai selar sua união em torno de um programa alternativo ao modelo neoliberal, praticado tanto pelo PT quanto do PSDB". Questionado sobre quem tem mais condições de vencer as prévias partidárias, marcadas hoje para 19 de março, ele ou o Germano Rigotto, Garotinho disse apenas que não gostaria de ser "indelicado". "Hoje, eu tenho mais votos do que o Rigotto, mas pode ser que ele venha a crescer. Não vamos procurar a cizânia no PMDB", desconversou.

Entretanto, um importante governista do PMDB disse que os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, decidiram fechar com Rigotto, contra Garotinho. Rigotto tem, também, segundo ele, a preferência dos governadores do partido.

Setores da cúpula governista do partido, que resistiam às prévias, decidiram aderir à consulta interna para evitar um racha. "Marcamos as prévias para o dia 19 por aclamação, porque decidimos não brigar. O importante no partido, agora, é manter a união", resumiu o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), que foi um dos primeiros a deixar a reunião da executiva, pois tinha um encontro marcado com Lula no Planalto.