A direção estadual do PMDB decidiu cobrar uma posição do prefeito de Castro, Moacir Fadel (PMDB), que declarou apoio à candidatura do tucano Beto Richa ao governo. Fadel é presidente da Associação dos Municípios do Paraná, que congrega os 399 prefeitos do estado.

Em correspondência encaminhada ontem, ao prefeito de Castro, o presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi, pede a Fadel que esclareça qual é o seu lado na eleição.

Na carta, o presidente do PMDB concede prazo de cinco dias para que Fadel confirme a obediência à decisão do partido que, em convenção, decidiu apoiar a candidatura do senador Osmar Dias (PDT) ao governo e da ex-ministra Dilma Rousseff (PT)à presidência da República.

A direção do PMDB ressalta que não há disposição para tolerar atos de infidelidade partidária, relembrando que, antes da convenção partidária, realizada no dia 30 de junho, o prefeito declarou que apoiava a candidatura de Beto Richa.

No site da candidatura tucana ao governo, são exibidas fotografias de Fadel ao lado de Beto e informações sobre sua participação na campanha de tucana, já no final de junho.

“A não manifestação sua, no prazo de cinco dias após o recebimento do presente, presumirá confirmação explícita de seu apoio ao candidato Beto Richa do PSDB, materializando grave ato de infidelidade partidária e sujeitando-os às conseqüências estatutárias e legais”, alertou o partido a Fadel.

Pugliesi disse que a direção estadual vai agir para coibir as posições de filiados que contrariarem a decisão aprovada em convenção. “Nós não vamos ficar assistindo as coisas acontecerem sem tomar providências”, afirmou o presidente do partido.

Resistências

Pugliesi disse que a demora no desfecho das negociações para a formação da aliança com o PDT e o PT contribuiu para que setores do partido ainda se mantenham longe da campanha majoritária.

“Estamos ainda no começo e o início da campanha é recente. As coisas ainda não estão totalmente claras. Mas acho que as coisas irão se ajeitando aos poucos. A campanha será curta, mas o ritmo será veloz a partir de agora”, afirmou.

Apesar de o PMDB ser um aliado dos mais antigos do PT no Paraná, há ainda um certo receio de algumas lideranças da área rural em aderir à campanha de Dilma e Osmar.

Pugliesi explica que, sobretudo nas regiões onde a atividade agrícola é o forte, o discurso do PSDB de que o PT e, agora o senador Osmar Dias, vão incentivar as ocupações de terras pelo MST, tem encontrado eco entre alguns prefeitos e lideranças.

“Os tucanos estão batendo nisso e, de certa forma, em alguns lugares, isso está trazendo preocupação”, disse. Porém, há também um grande número de prefeitos que tiveram seus municípios muito bem atendidos nos oito anos de governo Lula e que poderão ajudar a vencer essas resistências, avaliou o presidente do PMDB.

Prefeito de Almirante Tamandaré também está na mira

O próximo alvo do PMDB poderá ser o prefeito de Almirante Tamandaré, Wilson Goinski que já manifestou publicamente apoio à candidatura de Beto Richa (PSDB). Ontem, o prefeito acompanhou Beto em uma agenda de visitas a bairros da cidade, junto com os candidatos ao Senado, Gustavo Fruet (PSDB) e Ricardo Barros (PP). Várias fotografias de Goinski e o candidato tucano foram exibidas no site de Beto que, no twitter, anunciou a atividade chamando Goinski “meu amigo”. Goinski fez declarações de apoio ao tucano. “Beto tem nosso apoio porque é o candidato mais preparado. Eu conheço pessoalmente o trabalho dele”, disse o prefeito. A diferença entre a posiç&at,ilde;o de Goinski e o prefeito de Castro, Moacir Fadel, é que o prefeito de Almirante Tamandaré tem declarado apoio à candidatura do ex-governador Roberto Requião (PMDB) ao Senado, embora tenha caminhado ontem com os dois candidatos ao Senado da chapa tucana. Mas a declaração de apoio a Requião pode ajudar o prefeito junto à direção estadual, onde há quem defenda Goinski. Alguns aliados de Goinski dizem que ele ficou sem saída na disputa estadual já que há uma rivalidade antiga com o PDT no município.