A direção estadual do PMDB começou a discutir a possibilidade de intervenção no PMDB de Curitiba, onde há vinte e três anos o partido está fora do poder. E onde, há pelo menos dez anos, o comando está com o militante Doático Santos, integrante do “núcleo duro “ do senador Roberto Requião.

O pedido de dissolução do diretório foi apresentado pelo deputado estadual Reinhold Stephanes Junior, um antigo desafeto de Doático, na reunião da executiva estadual realizada. Mas a proposta foi vista com simpatia por membros da executiva estadual, que vão decidir na próxima semana se aprovam a abertura do processo de dissolução do diretório.

O presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi, disse que o pedido de Stephanes Junior será discutido e votado pelos treze integrantes da executiva estadual. Embora tenha procurado não se posicionar, Pugliesi disse que os resultados eleitorais “falam por si sós”.

Na eleição de 2008, o candidato do PMDB, o médico Carlos Augusto Moreira Junior, fez 1,9% dos votos em Curitiba, ou 19,1 mil. O último prefeito eleito pelo PMDB foi Requião, em 1985. “Em Arapongas, uma cidade minúscula em comparação com Curitiba, nós fizemos 32 mil votos”, comparou Pugliesi.

A nova frente de conflitos no PMDB de Curitiba é considerada por Pugliesi apenas uma das “batalhas” que serão desencadeadas a curto prazo no diretório da capital. Pugliesi acha que as lideranças do PMDB de Curitiba deveriam começar a discutir uma reestruturação da legenda para que, na próxima eleição, o partido tenha um nome em condições de competir. “Em Curitiba, acho que o caminho seria que as lideranças do partido se somassem para construir uma nova realidade partidária”, comentou.

Atualmente, o grupo de Requião é o mais forte em Curitiba. Mas até mesmo o deputado federal João Arruda, sobrinho de Requião, também estaria disposto a participar de um processo de oxigenação do partido. “Ele concordou com a gente na reunião da executiva. Até ele concordou”, disse Stephanes Junior, que acusa Doático de não ter diálogo com as diversas alas do partido. “Ele não tem condições de ser presidente. Ele não serve porque não tem representatividade”, criticou.