A questão do lançamento de candidaturas próprias às eleições deste ano será o tema principal de reunião promovida pela Fundação Ulysses Guimarães, instituto de estudos políticos do PMDB, pelo diretório nacional do partido e pelo diretório do PMDB paulista, que acontece quinta-feira (dia 4) em São Paulo. Do Paraná já confirmaram presença o deputado federal Gustavo Fruet, o deputado estadual Rafael Greca e o vereador Paulo Salamuni.

O programa do evento, que é coordenado pelo presidente do instituto, deputado Moreira Franco, pelo presidente do diretório nacional, deputado Michel Temer, e do diretório estadual, Orestes Quércia, começa às 9h e se estende até as 19h. Prevê palestras sobre pesquisa e marketing eleitoral, análise da conjuntura nacional neste momento, propostas do PMDB para os governos municipais e a estratégia para a campanha deste ano. Seus promotores estão preocupados em mobilizar deputados estaduais e federais com base nas capitais para a discussão dessa estratégia, já de olho nas eleições de 2006.

Candidatúra própria

Os três paranaenses que participarão dos debates são defensores da candidatura própria do PMDB em Curitiba. Fruet e Greca se colocam, inclusive, como pré-candidatos à Prefeitura de Curitiba, na contramão do grupo majoritário que pretende firmar uma aliança de oposição já no primeiro turno, tendo como cabeça de chapa o candidato do PT Ângelo Vanhoni.

Fruet está levando alguns estudos para expor aos correligionários, onde procura mostrar a necessidade de um projeto partidário para o futuro, baseado em análises sobre os resultados das últimas eleições na capital e suas consequências para o PMDB. “O PMDB ganha ou perde quando vai a reboque de outra legenda?”, indaga Fruet. “Me parece que um exame do que ocorreu com nossa representação na capital nos últimos anos mostra que o partido perde força quando não disputa com candidato próprio”, observa.

Sucessão divide lideranças do partido

O PMDB paranaense não tem uma posição unânime na questão da candidatura própria. Se o grupo majoritário quer ir com Vanhoni, não é pequeno o segmento contrário a essa posição. Nem o daqueles que vêm com desconfiança os movimentos na direção de uma aliança de oposição incluindo o PTB. O vereador Paulo Salamuni protesta, argumentando que isso tira da oposição um de seus principais discursos contra o prefeito Cássio Taniguchi (PFL) e seu candidato, que são as denúncias de caixa 2 nas eleições de 2000.

“Há ações tramitando na Justiça envolvendo importantes lideranças do PTB, entre elas o secretário-geral do diretório nacional Emerson Palmieri. Como é que nós, do PMDB, que tomamos na mão essa bandeira e nos mobilizamos exigindo providências, vamos explicar para o eleitor que um partido profundamente envolvido nas denúncias é hoje nosso aliado? Como justificar tamanha incoerência?”

O presidente do diretório municipal, Doático Santos, minimiza a preocupação do vereador: “O caixa 2 pode criar problemas para o Cassio Taniguchi e para o Beto Richa (PSDB), não para nós. Houve um deslocamento da posição do PTB, de lá para cá, que ocorreu por meio de lideranças que não estavam inseridas no contexto da polêmica. Além disso, houve uma mudança da posição do PTB a nível nacional. O partido esteve no segundo turno da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e compõe a base de apoio tanto do Lula como do governador Roberto Requião, que inclusive apóia esta aliança com o PTB. Isso é o mais importante”.

Salamuni também aponta a atuação da bancada do PTB na Câmara Municipal, que ao longo de oito anos votou sistematicamente com a Prefeitura: “Ser situação ou oposição traz ônus e bônus, o que é natural. Ser situação sempre, mesmo mudando radicalmente de lado, é inexplicável. Além do mais, desconsidera os companheiros que estiveram defendendo os principios programáticos”.

Doático admite que essa questão ainda não foi resolvida. “Mas nós vamos procurar deslocar estas lideranças do PTB para o campo de oposição ao Cassio. Como dizia o Ulysses Guimarães, a política requer saliva e saliva. O PMDB sempre teve uma reserva de saliva amazônica. Temos toda a paciência do mundo para fazer com que estas lideranças se integrem à oposição e para convencer as minorias do PMDB que criticam a aliança com o PTB e defendem a candidatura própria de que eles estão errados”, arremata.