Estado importante para o PMDB por ter o governador, o prefeito da capital e o presidente da Câmara, o Rio é também síntese da divisão interna do partido.

Apesar das diferenças verificadas desde a eleição presidencial de 2014 e que continuam na discussão sobre o futuro da relação com o governo federal, os peemedebistas fluminenses têm conseguido preservar a unidade local, o que garantiu a reeleição do governador Luiz Fernando Pezão. Para 2016, o esforço será manter a harmonia na sucessão do prefeito Eduardo Paes.

Outro ponto de convergência entre os peemedebistas do Rio é a defesa de candidatura própria ao Palácio do Planalto em 2018. Paes é um dos nomes mais citados para a disputa.

Em 2014, Pezão e Paes apoiaram a presidente Dilma Rousseff (PT), enquanto o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, liderou a dissidência que criou o movimento Aezão, de apoio ao tucano Aécio Neves e ao governador. O então líder do PMDB na Câmara e hoje presidente da Casa, Eduardo Cunha, anunciou “neutralidade” na disputa nacional e fez campanha para Pezão.

Rompido com o governo desde 17 de julho, Cunha, investigado na Operação Lava Jato, recebeu solidariedade dos companheiros de partido depois que se tornou pública a delação premiada do consultor Júlio Camargo, que disse ter sido pressionado a pagar US$ 5 milhões em propina ao deputado.

O presidente da Câmara, no entanto, não tem apoio dos principais líderes peemedebistas na tese de que o PMDB deve deixar o governo o mais rapidamente possível.

Pezão insiste na “responsabilidade” do PMDB em garantir a sustentação do governo. Neste mês, em jantar com deputados peemedebistas que visitaram as obras da Olimpíada, vitrine da administração de Paes, ele pregou: “A gente ajudou a eleger, tem que ajudar a governar”. O governador defende que o PMDB só deixe o governo em abril de 2018, prazo final de desincompatibilização.

A visão de Cunha é oposta. “O que não tem condição é achar que o PMDB vai ficar no governo até o último dia antes das eleições e depois vai sair com candidatura própria para criticar um governo do qual faz parte”, disse ele na semana passada.

A quem o questiona sobre divergências no partido, Cunha sempre responde: “Não tomei minha decisão (de romper com o governo) buscando apoio de quem quer que seja. Divergências são normais”. Pezão tem dito que não há conflito com Cunha.

Mesmo Picciani, que rejeitou apoiar reeleição de Dilma desde que o PT rompeu com o PMDB-RJ, no início de 2014, é cauteloso quando fala sobre o rumo dos peemedebistas diante da crise política e econômica. “Eu e Leonardo (filho de Picciani, líder do PMDB na Câmara) fomos à convenção nacional do PMDB, ano passado, e votamos contra a aliança com o PT. Foram 41% de votos contra a aliança. Perdemos, fizemos a dissidência, apoiamos Aécio e elegemos Pezão. Mas respeito os resultados, não defendo rompimento com a presidente Dilma.”

Leonardo Picciani reitera o argumento de Cunha de que o rompimento com Dilma foi decisão pessoal. “Precisamos de tranquilidade institucional, separar o presidente da Câmara do deputado que faz sua defesa. Eduardo Cunha deve ter amplo direito de defesa”, disse.

Cunha nega participação no esquema de corrupção da Petrobras e se diz vítima do governo, que teria direcionado as investigações contra ele. Pezão e o ex-governador Sérgio Cabral, outro aliado de Dilma, também são investigados na Lava Jato, por suspeita de receber dinheiro ilegal na campanha de 2010, segundo o delator e ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Pezão e Cabral negam o caixa 2 e dizem jamais ter tratado de campanha com Costa. Na semana passada, Cabral, Pezão e Paes se solidarizaram com Cunha, em reação a notícias de que o haviam criticado pela atitude de romper com o governo federal.