Após as eleições estaduais de 1965, o movimento militar que dominou o País decidiu extinguir todos os partidos existentes. Sumiram do mapa, alguns definitivamente, como UDN – União Democrática Nacional, PSD – Partido Social Democrático, e outros em caráter temporário, como o PTB – Partido Trabalhista Brasileiro. Este foi o único que ressuscitou, vinte anos mais tarde, com a volta da normalidade democrática. Limpeza do cenário político, desejavam os donos do País.

SUA CRIAÇÃO E DE SEU OPOSITOR – Para substitui-los, um ato do presidente da República. Um ato governamental criou, de cima para baixo, dois partidos. Um, a Arena – Aliança Renovadora Nacional, de triste memória; o outro, o MDB – Movimento Democrático Brasileiro. A missão do primeiro, apoiar; do segundo, fazer oposição ao governo. Tudo bem para o situacionista. Mas, quem aceitaria se posicionar no campo oposto para contestar e divergir das ordens do ditador de plantão? “Loco”, diriam os italianos.

BUSCA DE AFILIADOS – Coletar afiliados não foi tarefa difícil. Os diretórios estaduais e municipais explodiam, em quase geração espontânea, pelo País afora. No Congresso e nos legislativos estaduais e câmaras municipais o predomínio da agremiação política, predestinada a mandar, era total. Mas o MDB foi desprezado. Pouquíssimos optavam pelo pobre partido, condenado a viver na oposição. Qualquer discordância, já se sabia, implicaria em perda de mandato, punições várias, prisões.

A ESCOLHA DO PRIMEIRO PRESIDENTE – Preencher a direção da Arena foi fácil. Mais fácil ainda escolher seu comandante. Só uma dificuldade: surgiram milhares de pretendentes. Todos admiradores do chefe maior. Apresentavam-se com currículos notáveis e esplêndida experiência. Faziam declarações de apoio total ao regime. O privilegiado: um amigo dos poderosos e, sobretudo, confiável.

PRESIDENTE DE FARDA – Do outro lado, para dirigir o MDB não se encontrou sequer candidato. Os convites eram feitos, mas, quem haveria de aceitar esta missão heróica? Veio a grande decisão. A escolha recaiu num militar da ativa, que antes não havia participado e nunca entendeu de atividades políticas. Recebeu a missão de dirigir a oposição. Deu garantias: os afiliados teriam proteção especial. O estranho dirigente partidário até que foi bem e construiu o aguerrido MDB, que nos momentos mais importantes, teve em seu comando o inesquecível Ulisses Guimarães.

DE MDB PARA PMDB – O partido foi vitorioso nas eleições de 1974. assustou o presidente Geisel. Como enfraquecer a agremiação que estaria eternamente impedida de assumir o poder? A solução foi logo encontrada. Obrigar que os partidos mudassem de nome, assim desapareceria a sigla já consolidada. Esta era a intenção. No entanto, a criatividade e o instinto de sobrevivência funcionaram. De MDB foi para PMDB. Surgiu o Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Idéia notável. o espaço terminou. Voltamos amanhã ao assunto.